Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro se recusa a dar entrevistas e dispara que a ‘mídia inventa tudo’ [1]. Segundo ele, para além de distorcer os fatos, a mídia agora estaria inventando. Na ocasião, também falou com apoiadores sobre a situação das lotéricas e mencionou que a ‘imprensa canalha’ estaria sugerindo o engajamento do presidente no setor em razão de um parente lotérico [2]. Segundo ele, a mídia sempre o associa ao parente quando ele dá declarações sobre a situação dos lotéricos e, na verdade, ‘não tem nada a ver com isso’ [3].Vale notar que, durante a pandemia, o presidente não deixou de fazer ataques à mídia [veja aqui] e, dois dias antes do presente episódio, foi revelada a queda de posições do Brasil em ranking sobre liberdade de imprensa global [veja aqui].
Leia as análises sobre o papel da cobertura midiática em pandemias, os possíveis impactos da pandemia sobre a liberdade de imprensa e o ranking de liberdade de imprensa da ONG Repórteres sem Fronteiras de 2020.
Atos que trazem como justificativa o enfrentamento da pandemia de covid-19 ou outra emergência. Sob o regime constitucional democrático, atos de emergência devem respeitar a Constituição e proteger os direitos à vida e à saúde. Mesmo assim, por criarem restrições excepcionais ligadas à crise sanitária, requerem controle constante sobre sua necessidade, proporcionalidade e limitação temporal. A longo prazo, demandam atenção para não se transformarem em um 'novo normal' antidemocrático fora do momento de emergência.
Atos que empregam ferramentas da constante reinvenção autoritária. Manifestações autoritárias que convivem com o regime democrático e afetam a democracia como sistema de escolha de representantes legítimos, como dinâmica institucional que protege direitos e garante o pluralismo.