Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro cometeu ao menos 05 atos contra recomendações médicas e sanitárias na terceira semana de dezembro, em meio à pandemia

Tema(s)
Distanciamento social, Negacionismo
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Como na semana [veja aqui] e mês anteriores [veja aqui], o presidente da República, Jair Bolsonaro, descreditou recomendações médicas e sanitárias. Em 15/12, disse, em entrevista à TV Bandeirantes, que não irá tomar ‘seja qual for’ a’ vacina contra a covid-19 ‘e ponto-final’ [veja aqui] [1]. Na mesma ocasião, disse que pediu ao ministro da Saúde que mostre a bula de vacinas, em possível insinuação de que elas seriam perigosas [2]. No dia seguinte, em cerimônia com líderes religiosos, defendeu que o Brasil viveria ‘situação de quase normalidade’, o que vai contra os números crescentes de casos e mortes por covid-19 no país [3]. Segundo ele, isso se deveria à interferência divina e ao trabalho intenso de seus ministros [4]. Em 17/12, defendeu que efeitos colaterais podem surgir da vacina e que não se responsabilizaria se pessoas virassem ‘jacarés’ em evento na Bahia [veja aqui]. Também voltou a dizer que não tomaria a vacina, porque já teria anticorpos [5] – mesmo que já haja confirmações de casos de reinfecção no país [6]. Neste mesmo dia, o ministro da Saúde afirmou, em sessão no Senado Federal, que o presidente não irá participar de campanhas de incentivo à vacinação, por ser contra a imunização obrigatória [7]. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já se manifestou a favor da vacinação obrigatória em países com alto contágio e baixa adesão espontânea [8] e diversos cientistas apontam para a mesma direção [9]; o próprio Supremo Tribunal Federal decidiu sobre a obrigatoriedade da vacina no mesmo dia 17/12/2020 . Em 19/12, criticou ‘a pressa’ por vacinas e disse que a pandemia ‘está chegando ao fim’ em entrevista a canal do Youtube, a despeito da sustentação da alta de casos e mortes pelo coronavírus [veja aqui] [10]. Na entrevista, também sugere a realização de festas de fim de ano, o que vai contra a recomendação de especialistas [11]. Em 21/12, causou aglomeração no litoral de Santa Catarina, cumprimentando apoiadores – sem máscara – e conversando com eles, apesar de ignorar a imprensa [12]. Entre 15/12 e 21/12, o número de infectados pela covid-19 no país subiu de mais de 6,9 milhões [13] para mais de 7,2 milhões [14] e as mortes ultrapassaram a marca de 187 mil pessoas [15], segundo dados do consórcio de veículos da imprensa.

Leia análise sobre a ambiguidade do presidente sobre a imunização na crise da covid-19, veja retrospectiva de mentiras já disseminadas por ele sobre o vírus em 2020 e fatos que atestam a falsidade de teorias da conspiração sobre as vacinas disseminadas recentemente

21 dez 2020
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