Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Ministro da Educação nomeia coronel aviador sem experiência em educação para diretoria crítica do Inep

Tema(s)
Educação, Liberdade Acadêmica, Militarização
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Ministro da Educação, Milton Ribeiro, nomeia novo diretor de Avaliação da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sem experiência na área da educação [1]. O coronel da Aeronáutica Alexandre Gomes da Silva assume o cargo após a morte por covid-19 de seu antecessor, general Carlos de Souza [2]. Segundo decreto sobre a estrutura do Inep [3] o cargo que ocupa Silva é comissionado, ou seja, é de livre nomeação. No entanto, para a lei que dispõe sobre os servidores públicos [4], todo cargo público deve estar submetido as atribuições e responsabilidades da função prevista. Entretanto, Silva não tem qualquer experiência na formulação de políticas públicas de educação básica, ele é formado em Ciências Aeronáuticas, pós-graduado em Ciências da Aviação, se dedicando a prática de piloto e a investigação de acidentes aeronáuticos [5]. Segundo apuração da imprensa, a nomeação do coronel foi um dos motivos que levaram a exoneração, na semana passada, do ex-presidente do Inep, Alexandre Lopes, ele se opôs a entrada de Silva no órgão por considerá-lo pouco qualificado tecnicamente para ocupar a chefia da diretoria do Inep, responsável pela execução do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) [6]. Os servidores do Inep temem que Silva tenha sido escolhido para o cargo a fim de exercer ‘um controle inadequado’ sobre as questões do Enem [7]. No governo Bolsonaro o exame deixou de abordar questões sobre a ditadura militar [veja aqui]; foi criada uma comissão para avaliar e retirar ‘questões ideológicas’ da prova [veja aqui]. Em 2,5 anos da gestão Bolsonaro, o coronel Silva é a quinta pessoa a ocupar a diretoria [8] e Lopes foi o quarto presidente do Instituto [9]. Os funcionários do Inep relatam que as substituições frequentes geram descontinuidade dos processos que podem levar ao atraso da elaboração do Enem [10]. Em 09/04, após a exoneração do diretor de tecnologia do Inep, a Associação de Servidores do Inep divulga nota pedindo a criação de uma lei orgânica que defina ‘critérios claros e técnicos’ para a escolha dos gestores a fim de proteger o Inep das ‘tensões políticas intrínsecas às alternâncias de poder no governo federal’ [11]. O Enem de 2021 pode não acontecer por falta de recursos [veja aqui] e caso ocorra há indícios que será realizado apenas em janeiro de 2022 [12]. Em 26/05, Silva é demitido da diretoria em meio ao cenário de incerteza acerca da realização do Enem [13].

Leia na íntegra a nota pública da Assinep sobre a instabilidade da gestão do Inep.

05 mar 2021
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