Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro afirma que o desmatamento é cultural e que não devem perturbar o governo na questão ambiental

Tema(s)
Ciência, Meio Ambiente
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Ao ser questionado sobre medidas para redução dos desmatamentos, o Presidente Jair Bolsonaro diz: ‘você não vai acabar com o desmatamento nem com as queimadas. É cultural’ [1]. A fala ocorre dois dias depois do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fornecer dados sobre o desmatamento na Amazônia no período entre agosto de 2018 e julho de 2019, que foi o maior dos últimos dez anos [2]. André Guimarães, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirma que há uma cultura da impunidade, pois mais de 45% do desmatamento são ilegais [3]. O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirma que a meta da gestão para o próximo ano é reduzir o desmatamento ilegal e que o crescimento no desmate decorre da ‘ausência de dinamismo econômico na região’ e que é necessário um ‘ambientalismo de resultado’ [4]. Um dia depois, Bolsonaro defende que o país tem vasta área de preservação e, portanto, ninguém deveria ‘ficar perturbando’ o governo na questão ambiental [5]. O Presidente reafirma seu posicionamento contra o aumento na demarcação de terras indígenas [veja aqui] e questiona a imprensa: ‘Querem acabar com o Brasil? Acaba, vocês vão comer capim’ [6]. Em outra oportunidade, Bolsonaro afirma que existem queimadas praticadas por indígenas e populações locais ‘como parte de sua cultura e forma de sobrevivência’ [veja aqui]. As falas compõem o quadro de desmonte das políticas ambientais do governo, como duvidar [veja aqui] e contrariar [veja aqui] dados apresentados pelo Inpe, responder ironicamente jornalistas que questionam sobre desmatamento [veja aqui], exonerar funcionários de órgãos de fiscalização [veja aqui] e acusar ONGs de promoverem incêndios na Amazônia [veja aqui].

Leia as análises sobre as ações e promessas nos primeiros 100 dias da gestão Bolsonaro, sobre o desmonte na política ambiental promovida por seu governo e o balanço da política ambiental em 2019

20 nov 2019
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro tem postagens apagadas em redes sociais por gerarem desinformação

Tema(s)
Ciência, Distanciamento social
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Em meio a série de eventos em que atacou o isolamento social e defendeu uso de cloroquina, Bolsonaro teve postagens deletadas por ‘desinformação’. Após desconsiderar recomendações sanitárias em ato pró-governo [veja aqui], Bolsonaro anda por Brasília, gerando aglomeração de pessoas, incluindo crianças e idosos um dia após o então ministro da Saúde defender políticas de isolamento social [1]. O Presidente atacou a Folha de São Paulo em duas ocasiões pela cobertura do veículo ter se referido ao tour como “passeio” [2]. Do evento, Bolsonaro fez postagens que faziam referência ao uso da cloroquina (composto de eficácia não comprovada contra a covid-19) e defendiam o fim do isolamento social. O Twitter pela primeira vez apagou posts de Bolsonaro, alegando que seriam “informações contra a saúde pública” [3]. A plataforma foi seguida pelo Facebook e Instagram [4], que afirmaram que as publicações geram “desinformação” que poderia “causar danos reais às pessoas”. Embora seja a primeira vez que essas redes sociais apagaram postagens de Bolsonaro, o Twitter já havia deletado postagens feitas por pessoas ligadas ao Governo Federal por ocasião da crise da covid-19: Flávio Bolsonaro, filho do Presidente, e Ricardo Salles, ministro do Meio-Ambiente, tiveram tuítes deletados [5].

Leia as análises sobre por que as plataformas estão removendo esse tipo de conteúdo, a opinião de pesquisadores sobre esse tipo de filtragem de informações, a relação entre o negacionismo do Presidente e sua situação política e outros líderes mundiais que tiveram suas postages apagadas.

29 mar 2020
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro diz que coronavírus: ‘é igual chuva’, molha-se, mas não se morre afogado

Tema(s)
Ciência, Distanciamento social
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

O presidente afirma em entrevista a programa da TV Bandeirantes que o novo coronavírus não teria potencial para matar pessoas. Em analogia com a chuva, defende que ‘o vírus é igual a uma chuva. Ela vem e você vai se molhar, mas não vai morrer afogado’ [1]. Na entrevista, Bolsonaro reconhece que pessoas mais pobres podem ter maior vulnerabilidade ao vírus, já que seriam ‘fracas por natureza, dada a falta de uma alimentação mais adequada’ [2]. O tom discursivo mudou em relação pronunciamento do dia anterior [veja aqui], em que o presidente pediu união e admitiu que o vírus é uma realidade. Essa manifestação se alinha ao pronunciamento de 24/03 do presidente, que gerou grande repercussão negativa em razão das diretrizes anti-isolamento social [veja aqui]. Dois dias depois da declaração, ele voltou a fazer a analogia a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, dizendo que 70% da população seria infectada e que ‘a sociedade não aguenta ficar dois, três meses parada, vai quebrar tudo’ [3]. Na ocasião, o presidente aproveitou para criticar João Doria, declarando que o governador de São Paulo estaria fazendo ‘terrorismo’ ao cobrar medidas do governo federal [4].

Leia as análises sobre a postura do governo Bolsonaro na crise e seu consequente isolamento e estudos sobre os efeitos positivos do isolamento social.

01 abr 2020
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Em novo pronunciamento, Bolsonaro exalta a hidroxicloroquina e o perigo do desemprego por isolamento social

Tema(s)
Ciência, Distanciamento social
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Em seu quinto pronunciamento em rede nacional, Bolsonaro afirma que o objetivo principal do governo é ‘salvar vidas’, que seus ministros e equipe devem estar sintonizados com ele e que é preciso união nesse momento. Em relação às medidas dos estados e municípios, afirma que respeita a autonomia dos governadores e prefeitos e que é da responsabilidade deles a realização de muitas medidas restritivas ou não ao enfrentamento do novo coronavírus. Também se refere ao diretor geral da OMS, como havia feito em pronunciamento anterior [veja aqui], para dizer que a pandemia evolui de maneira diferente nos países e que, no Brasil, os ‘mais humildes’ não poderiam deixar de trabalhar. Volta a mencionar também a hidroxicloroquina como método de tratamento [1]. Mais uma vez, o pronunciamento ocorreu concomitantemente a panelaços [2] e o presidente sofreu críticas. O Ministro da Saúde havia defendido no dia anterior ao pronunciamento uma utilização mais moderada da hidroxicloroquina, sendo recomendado o medicamento em casos graves ou críticos, apesar de também permitido em casos moderados e leves, com responsabilização médica [3].

Leia as análises sobre os discursos do presidente em rede nacional, com foco na defesa da cloroquina e a outra com mais detalhes do conteúdo dos pronunciamentos. Leia também estudo sobre os impactos das falas do presidente durante a pandemia e pesquisa sobre os efeitos positivos do isolamento social.

08 abr 2020
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Ministério Público
Nível
Federal

Ministério Público Federal instaura inquérito sobre estudo que põe em dúvida a eficácia da cloroquina

Tema(s)
Ciência, Informação
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Três Procuradores da República de Bento Gonçalves (RS) instauram inquérito civil [1] para coletar informações preliminares sobre a eficácia da cloroquina, a partir de estudo conduzido por 70 pesquisadores da Fiocruz, UEA e USP. Os pesquisadores devem responder a 32 perguntas formuladas pelo MPF sobre a pesquisa, em especial sobre seu método. O estudo ‘CloroCovid-19’ foi concluído preliminarmente em meados de abril [2] e teve repercussão na mídia internacional [3]. Ele sugere que a redução de letalidade do novo coronavírus com a aplicação do medicamento não é relevante e aponta para seu potencial tóxico [4]. Após terem observado o aumento do risco de complicações cardíacas os pesquisadores suspenderam o estudo, que recebeu diversas críticas em redes bolsonaristas [5]. Em 16/04, os próprios pesquisadores publicaram nota afirmando que seguiram rigorosamente os protocolos éticos determinados [6]. A Fiocruz também lançou nota em defesa da ciência e dos pesquisadores em 17/04 [7], reputando ser ‘inaceitáveis’ os ataques aos pesquisadores nas redes sociais, que incluíram até ameaças de morte [8]. Outras entidades também prestaram solidariedade aos pesquisadores, como a Sociedade Brasileira de Virologia [9] e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência [10]. Com a abertura do inquérito, levantam-se suspeitas sobre a parcialidade dos Procuradores, um deles, pelo menos, apoiador do presidente [11].

Leias as análises sobre a situação da liberdade acadêmica no Brasil e no mundo, reportagem internacional sobre o estudo brasileiro e matéria sobre as dúvidas a respeito da cloroquina com base em estudos científicos.

20 abr 2020
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro afirma, contrariando dados científicos, que isolamento foi inútil

Tema(s)
Ciência, Distanciamento social
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Dando sequência ao repertório de manifestações contrárias a recomendações científicas e sanitárias [veja aqui], Bolsonaro volta a desmerecer a importância da crise e defende que ‘todo empenho pra achatar a curva praticamente foi inútil’ em sua videoconferência semanal [1]. Como já havia defendido antes [veja aqui], afirma que, como de toda forma (com ou sem isolamento) 70% da população virá a ser infectada, isso indicaria a inutilidade do isolamento — o que contraria a análise de especialistas sobre o tema [2]. Não mencionando dados que respaldem sua posição, o presidente afirma também que as pessoas querem voltar a trabalhar e que o desemprego é um efeito colateral das medidas de quarentena. Segundo ele, caberia a prefeitos e governadores adotar medidas para gerir a crise: ‘não vou entrar no mérito, nem vou discutir. Ao governo federal praticamente não cabe quase nada’ [3]. Ao fim do pronunciamento, solidariza-se com as famílias das vítimas do novo coronavírus [4], em contraste com seu pronunciamento anterior em que minimizou a importância as mortes [veja aqui]. Em resposta, houve críticas à afirmação sontra o isolamento social [5]. No dia de sua afirmação, o Brasil totaliza 87.187 casos confirmados de covid-19 [6], ultrapassando a China nesse quesito, epicentro inicial da doença [7]. Também totalizam no dia 6.006 mortes pela covid-19 [8].

Leia as análises sobre a queda de braço entre Bolsonaro e governadores após esse pronunciamento, a conjuntura da pandemia e o cenário político segundo grupo de professores da USP e as características positivas de líderes nesse tempo de crise.

30 abr 2020
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Ministra Damares Alves anuncia ‘milagre da cloroquina’ no Piauí

Tema(s)
Ciência, Saúde
Medidas de emergência
Construção de inimigos

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, divulga um vídeo nas redes sociais anunciando o ‘milagre da cloroquina’ na cidade de Floriano, no Piauí [1]. A ministra foi enviada ao local para visitar um hospital que faz uso do medicamento hidroxicloroquina [2] e buscar o protocolo adotado de atendimento a pacientes de coronavírus para outras regiões do país [3]. A ida se deu depois de começar a circular a informação de que o medicamento era o responsável por esvaziar a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital [4]. No entanto, o coordenador técnico do hospital afirma ser falsa a atribuição de êxito na melhora dos pacientes em razão do uso da cloroquina e declara que o diferencial para evitar a UTI é o uso de medicamentos como o corticoide e o anticoagulante para pacientes internados [5]. O protocolo é defendido por uma médica brasileira que trabalha em um hospital em Madri, na Espanha, mas ele não é aceito pelo Ministério da Saúde do país [6]. A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários, inclusive, alerta para os riscos de possíveis reações adversas ocasionadas pela cloroquina, como problemas cardíacos [7]. Cinco dias depois da declaração da ministra, o ocupante interino do cargo de ministro da Saúde [veja aqui] assina novo protocolo para ampliar o uso de cloroquina após determinação do presidente, apesar da OMS ressaltar os efeitos colaterais do remédio e suspender os testes com a droga dias depois [veja aqui].

Leia as análises sobre a aposta do governo na cloroquina, dez pontos para entender o debate em torno desse medicamento, um estudo brasileiro que aponta a sua ineficácia – em inglês – e alguns apontamentos sobre esse estudo.

15 maio 2020
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Polícia detém equipes que coletam testes para pesquisa nacional sobre coronavírus

Tema(s)
Ciência, Segurança pública
Medidas de emergência
Aumento de poder de polícia

As equipes de uma pesquisa de dimensão nacional sobre a pandemia da covid-19 são detidas pela polícia ou impedidas de trabalhar por gestões municipais, além de serem agredidas por civis [1]. O estudo, feito pela Universidade Federal de Pelotas, Ibope e financiado pelo Ministério da Saúde, pretende fazer testes em 133 cidades. Pesquisadores foram barrados por prefeitos de cerca de 40 municípios, que alegaram falta de notificação sobre a pesquisa por meios oficiais [2]. Também ocorrem detenções pela polícia em cerca de 12 municípios e apreensões dos testes – estima-se que cerca de 800 foram perdidos [3]. Ainda, são informadas agressões aos pesquisadores, por civis que acreditam ser um golpe ou estarem quebrando a quarentena [4]. A pesquisa apresenta resultado de que o número de infectados pelo coronavírus deve ser cerca de sete vezes maior do que registram os dados oficiais [5]. Ainda, em contexto de politização da ciência e da cloroquina [veja aqui] e de interferências em estudos sobre o composto [veja aqui], professores da UnB que estudam o fármaco, tornado conhecido em meio à pandemia [veja aqui], são atacados nas redes sociais [6]. Além disso, um cientista e sua equipe, da Fundação de Medicina Tropical, também sofrem ataques, incluindo ameaças de morte, por causa do estudo realizado com o remédio [7].

Leia análise de historiador sobre politização e ciência em epidemias, o fazer dos cientistas no contexto de pandemia e sobre as detenções dos agentes que pesquisam a covid-19.

16 maio 2020
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Poucos dias após demissão de segundo Ministro da Saúde na pandemia, interino cede mais cargos a militares e aprova novo protocolo para uso da cloroquina

Tema(s)
Ciência, Militarização, Saúde
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Eduardo Pazuello, então ocupante interino do cargo de ministro da Saúde [veja aqui], nomeia 17 novos militares para a pasta [1], em cenário crescente de militarização [veja aqui]. Com isso, os militares somam número recorde de postos na saúde [2], o que levanta preocupações de militares da ativa sobre desgaste com Forças Armadas [3]. Um dos nomes indicados teria espalhado informações falsas e chamado agentes da OMS de ‘genocidas’ [4] durante a pandemia, denotando possível falta de qualificação técnica [5]. No dia seguinte, 20/05, o ministro interino assina novo protocolo e amplia o uso de cloroquina para tratamento de casos leves após determinação do presidente [6], confirmando as expectativas após a demissão do Ministro da Saúde anterior [7] – que dias depois de sua exoneração, admitiu o peso da pressão presidencial para a liberação do uso da cloroquina como fator determinante para sua saída [8]. Sobre o novo protocolo, Bolsonaro faz trocadilho, politizando a questão: ‘quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, tubaína’ [veja aqui]. Com a nova orientação, o governo é criticado por governadores – que se negam a segui-la e aventam outros problemas da crise, como a falta de equipamentos [9]. Questionada sobre o novo protocolo, a OMS ressalta os efeitos colaterais do remédio e a falta de comprovação científica de sua eficácia [10] e suspende os testes com a droga dias depois [11], mas o governo mantém a orientação [12]. Entidades médicas também se manifestam contra a orientação e afirmam ter a intenção de judicializar a questão [13]. Procuradores da República de diversosestados do país também recomendam a suspensão da orientação do Ministério da Saúde [14]. Em 03/06, o Tribunal de Contas da União requer fundamentação do Ministério para mudança de protocolo, já que isso teria impacto nas contas públicas [15]. Em 15/06, a pasta amplia o protocolo, recomendando também o uso da cloroquina para gestantes e crianças [16], o que está na contramão de tendência internacional [17]. Em julho, a OMS suspende em definitivo os testes com hidroxicloroquina, dada sua ineficácia [18]. Em agosto, documento obtido via Lei de Acesso à Informação (LAI) atesta que a Anvisa, agência responsável por certificar a segurança de medicamentos liberados no mercado, não participou da elaboração da recomendação feita pelo Ministério da Saúde, o que é considerado perigoso por especialistas [19]. Pazuello nomeou, ao todo, 20 militares para sua assessoria no MS e afastou técnicos com experiência em crises sanitárias [20].

Leia as análises sobre a aposta do governo na cloroquina, a associação da hidroxicloroquina com mortes – em inglês e estudo posterior sobre a ineficácia do medicamento.

19 maio 2020
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Governo federal ignorou oferta de vacina contra o coronavírus por metade do preço vendido a outros países

Tema(s)
Ciência, Saúde
Medidas de emergência
Restrição a direitos fundamentais

O Governo federal recusa oferta de vacina contra o coronavírus, oferecida pela Pfizer a 50% do valor pago pelos EUA e países europeus segundo apuração da imprensa desta data [1]. Como afirmou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o governo classificou a proposta feita em agosto de 2020 pela farmacêutica como ‘agressiva’ e apontou entraves em cláusulas do contrato [2]. Pazuello afirmou também ter considerado muito elevado o preço de US$ 10 por dose, porém tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido pagaram cerca de US$ 20 por cada doses da Pfizer [3]. Consideradas caras em agosto de 2020, até 70 milhões de doses da Pfizer poderiam ter sido entregues ao Brasil a partir de dezembro de 2020 [4]. Em abril de 2021, o governo federal quebrou cláusula de confidencialidade com a farmcêutica ao publicar na internet o contrato assinado com a empresa para a compra dos imunizantes [5]; apenas neste mês chegaram as primeiras doses de vacinas da farmacêutica [6]. O gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, ao depor na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da covid em maio, disse que governo brasileiro recebeu 6 sete propostas para comprar vacinas da Pfizer contra a covid-19 até fechar contrato com a farmacêutica [7] [veja aqui]. O vice-presidente da CPI da covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirma poucos dias depois à apuração da imprensa que o governo federal ignorou 81 e-mails sobre a proposta de aquisição das vacinas da Pfizer; o primeiro deles em 17/03/2020, no início da pandemia [8]. Já em depoimento à CPI da covid no fim de junho, epidemiologista afirma que cerca de 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas no Brasil se não fosse o desestímulo do presidente ao uso de máscaras e atraso na compra de vacinas [9].

Leia análise de especialistas da área da Saúde sobre a avaliação das ações do governo federal durante a pandemia.

05 jun 2020
Mês Filtros