Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro reafirma negacionismo em relação à covid-19, nega corrupção, volta a descredibilizar voto impresso e mente em relação às manifestações de 07/09

Tema(s)
Administração, Conflito de poderes, Eleições, Negacionismo
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Em entrevista publicada nesta data, o presidente da República, Jair Bolsonaro, faz afirmações imprecisas ou inverídicas sobre diversos assuntos relacionados ao seu mandato [1]. Ele afirma não haver errado em nada no combate à pandemia da covid-19 e salienta que previu que as medidas de isolamento social causariam más consequências econômicas [2]. Entretanto, só o próprio presidente, entre maio de 2020 e setembro de 2021, cometeu, no mínimo, 245 violações às recomendações médicas e sanitárias de combate à pandemia [veja aqui]. Além disso, a contraposição que o presidente faz entre as medidas de isolamento social e o mau desemprenho econômico é criticada por economistas, que a classificam como ‘falso dilema’ [3]. Na entrevista, Bolsonaro volta a defender o uso de medicamentos com ineficácia comprovada no combate à covid-19, afirmando, ainda, que a vacina Coronavac ‘não tem comprovação científica’ [4]. Contudo, médicos e cientistas defendem a ineficácia do tratamento precoce e a eficiência da Coronavac contra a doença [veja aqui]. Na fala, Bolsonaro também descredibiliza a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, nega casos de corrupção em seu governo e também diz não usar cartão corporativo [5]. Vale lembrar que o relatório final da CPI da covid-19 acusa Bolsonaro de agir de forma intencional para provocar a morte de milhares de brasileiros, atribuindo-lhe a prática de dez possíveis crimes [veja aqui]. A CPI também revelou possíveis casos de corrupção no governo, relacionados à compra de vacinas [veja aqui] [veja aqui]. Além disso, apuração jornalística acusa o governo federal de negociar apoio do Congresso Nacional por meio de orçamento secreto de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares [veja aqui]. Sobre o uso de cartão corporativo, o governo federal tem, atualmente, o maior gasto com cartão corporativo desde 2018 [6] e a maioria dos gastos têm sido mantidos em sigilo [7]. Ainda na entrevista, o presidente diz que não convocou as manifestações que ocorreram em 07/09 [veja aqui], volta a descredibilizar as urnas eletrônicas e a defender o voto impresso [8]. Entretanto, Bolsonaro convocou seus apoiadores às manifestações de 07/09, às quais se referiu como ‘oportunidade’ e ‘ultimato’ a ministros do STF [veja aqui] e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para implementar voto impresso já foi rejeitada pela Câmara dos Deputados [veja aqui], a despeito da intimidação provocada pelo presidente com desfile de militares em Brasília [veja aqui].

Leia análise sobre a entrevista de Bolsonaro e veja balanço do cumprimento das promessas de campanha do presidente após mil dias de governo.

25 set 2021
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