Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Governo anuncia redução das emissões de gás de efeito estufa, mas é acusado de ‘pedalada climática’

Tema(s)
Meio Ambiente
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Em discurso transmitido no pavilhão do Brasil na Conferência do Clima (COP-26), principal evento para debater mudanças climáticas da ONU, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciam aumento na previsão de cortes de emissão de gases de efeito estufa de 43% para 50% até 2030 [1]. Para especialistas, trata-se de uma ‘pedalada climática’ [2]. A meta de 43% foi estabelecida no Acordo de Paris e toma como base os lançamentos de gases estufa na atmosfera em 2005, projetados na época em 2,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) [3]. O governo federal revisou o cálculo, mas não indicou a base utilizada para aplicar o novo porcentual [4] [5]. Na prática, a manobra contábil não aumenta a ambição climática brasileira em números absolutos e permite que o Brasil relaxe sua meta de corte nas emissões CO2 [6]. Essa é mais uma tentativa do governo de passar uma imagem de ambição ambiental ao mundo: às vésperas da COP26, Bolsonaro propôs agenda de medidas voltadas ao meio ambiente mas foi acusado de oportunismo [veja aqui]. Em outubro, foi processado por plano climático insuficiente [veja aqui]. O governo foi apontado, pelo TCU, como responsável pelo desmatamento e queimadas da Amazônia [veja aqui], que é o maior desde 2012 [veja aqui], convergindo com entraves na fiscalização ambiental [veja aqui], exploração de atividades econômicas em áreas de proteção ambiental [veja aqui] e a alta recorde de pedidos de mineração em terras indígenas .

Entenda a manobra do Brasil para relaxar as metas climáticas.

01 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Portaria proíbe exigência de vacinação para contrataçao e demissão de funcionários, especialistas apontam a medida como inconstitucional

Tema(s)
Conflito de poderes, Trabalho
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O Ministério do Trabalho e da Previdência edita portaria que proíbe que empresas requisitem comprovante de vacina para contratação ou manutenção de funcionários [1]. A portaria assinada por Onyx Lorenzoni caracteriza a demissão ou contratação mediante comprovante vacinal como uma ‘prática discriminatória’ equiparada a discriminação relacionada a sexo, raça, cor, idade e deficiencia, desse modo a demissão por ausência de imunização não configura justa causa [2]. Além disso, a portaria estabelece punições em caso de demissão ou não contratação por conferência do comprovante de vacinação [3]. Mesmo proibindo a exigência de vacinação pelas empresas, a portaria prevê a possibilidade da empresa oferecer a testagem de covid-19 aos colaboradores [4]. Horas depois da edição da portaria, Onyx declara que a escolha de receber ou não o imunizante é pessoal decorrente do exercício do livre arbítrio [5]. Especialistas de direito trabalhista afirmam que a portaria editada pelo governo é inconstitucional, sob justificativa de que a medida é política e considera o direito individual de não tomar vacina superior à saúde coletiva [6]. Eles também declaram que a portaria expõe o posicionamento do governo contra a vacinação e gera insegurança jurídica [7]. Em reação, dez representações sindicais lançam nota repudiando o conteúdo da portaria [8]. Vale ressaltar que em dezembro de 2020, o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que a vacinação contra a covid-19 é obrigatória e que sanções poderiam ser estabelecidas em caso de não imunização [9]. Três dias depois da edição da portaria, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirma que o governo acredita que é ‘muito drástico demitir pessoas porque elas não quiseram vacinar’ e que as pessoas devem buscar as vacinas livremente [10]. Em 12/11, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, concede liminar que suspende a vigência da portaria editada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência [11]. Em consonância a portaria editada por Onyx, no dia 11/08, o secretário especial de Cultura, Mário Frias, edita decreto proibindo que eventos e atrações financiadas com a verba da Lei Rouanet exijam comprovante de vacina contra a covid-19 [veja aqui].

Leia sobre as tentativas do governo em desobrigar a vacinação no país.

01 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Após isolamento no G20, Bolsonaro se reúne com líder italiano de extrema direita

Tema(s)
Posicionamento político, Relações internacionais
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Presidente da República, Jair Bolsonaro, se encontra com o líder do partido italiano de ultradireita, Matteo Salvini, após ficar isolado no encontro dos líderes do G20 em Roma [1]. O encontro com Salvini ocorreu em Pistoia, durante uma homenagem aos pracinhas brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial [2]. Salvini é ex-vice-primeiro-ministro da Itália e tem sua trajetória política marcada por declarações controversas e xenófobas [3]. Inclusive, em 2019, enquanto ainda exercia o cargo de vice-primeiro ministro, Salvini negou o acesso de barcos com imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo, aos portos italianos [4]. Na cerimônia, Bolsonaro declara que está emocionado e que estão ali comemorando ‘os que tombaram em luta pelo que temos de mais sagrado em nós, a liberdade’ [5]. A passagem de Bolsonaro pela Itália foi marcada pela falta de interações com os demais líderes do G20, pelo tratamento hostil de jornalistas por Bolsonaro e pelas manifestações contrárias à sua visita ao país [6] [7] [8]. Durante a participação de Bolsonaro no G20, o presidente não se reuniu com nenhum líder e não esteve presente em visitas e compromissos oficiais [9]. Ao fim do evento, Bolsonaro tratou de forma violenta a imprensa e seus seguranças agrediram jornalistas [10], posteriormente Bolsonaro negou que tenha havido agressões contra jornalistas [11]. Em visita a Pádua no dia 01/11, Bolsonaro não foi acompanhado por nenhuma autoridade italiana e enfrentou protestos contra a sua presença no local [12]. Os manifestantes foram reprimidos pela polícia por meio do uso de jatos de água, cassetetes e bombas [13]. Vale ressaltar que em julho e agosto deste ano, Bolsonaro se encontrou com a líder da extrema direita alemã, Beatrix Von Storch, [veja aqui] e com o presidente da Guiné Bissau, Sissoco Embaló, conhecido pelo seu alinhamento autoritário [veja aqui].

Leia sobre a inércia diplomática de Bolsonaro na Itália.

02 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Coordenador do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima pede demissão por falta de abertura do governo com sociedade civil

Tema(s)
Administração, Meio Ambiente
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

O coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, Oswaldo dos Santos Lucon, pede demissão do cargo nesta data [1]. O pedido acontece em meio ao início das negociações da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), a principal cúpula da ONU para debate sobre questões climáticas [2]. Lucon, que foi nomeado para a função ainda em maio de 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro, diz que pede demissão por tentar colocar o governo federal em contato com a sociedade civil, de maneira transparente, baseado na ciência e no reforço das instituições, porém, segundo ele, ‘não foi o que aconteceu’ [3]. Apesar de os representantes brasileiros na conferência estarem assumindo compromissos para acabar com o desmatamento e reduzir a emissão de gases do efeito estufa, especialistas desconfiam que não vai haver decisões efetivas devido à ausência de planos concretos para implementá-los [4]. O governo federal também já diminuiu a fiscalização ambiental [veja aqui], foi denunciado à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) por desmantelar políticas ambientais [veja aqui], e responsabilizado por especialistas devido a recordes de desmatamento na Amazônia [veja aqui].

Leia balanço da COP 26.

02 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Estadual

Ibama é denunciado por omissões em relação ao setor de licenciamento de atividades marítimas de petróleo e gás no Rio de Janeiro

Tema(s)
Meio Ambiente
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização
Estado
Rio de Janeiro

Ibama é denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) por omissões em relação ao setor de licenciamento de atividades marítimas de petróleo e gás no Rio de Janeiro [1]. A denúncia é apresentada pelos próprios servidores do órgão, por meio da Associação dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do Ibama (Asibama) [2]. Segundo o documento encaminhado, o Ibama se absteve na tomada de decisão para a aprovação de ações de prevenção, controle e monitoramento da espécie exótica invasora Coral-Sol, praga marinha com alto poder de devastação [3]. Dado o forte poder de proliferação desse coral, sua presença é combatida em partes do litoral da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina [4]. A Asibama afirma que dezenas de documentos foram produzidos pela equipe técnica do Ibama com orientações para a remoção, limpeza de casco, controle e monitoramento do Coral-Sol em plataformas de petróleo, mas que estes foram retidos deliberadamente pelo Coordenador-Geral de Licenciamento de Empreendimentos Marinhos e Costeiros, Alex Garcia de Almeida [5]. Para a Asibama, este cenário é agravado pela exclusão da participação da equipe técnica do Ibama e de demais atores da sociedade nessa discussão, além da nomeação de servidores para cargos de chefia sem as qualificações técnicas exigidas [6]. Vale lembrar que em maio de 2019, o presidente Bolsonaro alterou composição do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e reduziu a participação de entidades civis [veja aqui]. Além disso, diversos comandos das superintendências do Ibama nos estados são ocupados por profissionais sem as devidas qualificações técnicas, a exemplo do Amapá [veja aqui], Amazonas [veja aqui], Bahia [red id=1349], Ceará [veja aqui], Espírito Santo [veja aqui], Maranhão , Pará [veja aqui] e Santa Catarina [veja aqui]. Durante o governo Bolsonaro, centenas de cargos comissionados têm sido ocupados por militares [veja aqui]. Somente em órgãos socioambientais, o governo Bolsonaro já conta, até outubro de 2020, com 99 militares em cargos comissionados [veja aqui].

Leia análises sobre o retorno dos militares ao meio ambiente e a militarização da pauta ambiental desde 2019.

03 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro diz que ‘índia’ foi levada à COP 26 para ‘atacar o governo’

Tema(s)
Povos indígenas
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Em meio à Conferência do Clima (COP-26), principal evento para debater mudanças climáticas da ONU, Bolsonaro afirma que ‘índia’ foi levada para ‘atacar o Brasil’ [1]. O alvo é a ativista brasileira Txai Suruí que, na abertura da COP, discursou sobre a preservação da Amazônia e a importância de se ouvir os povos indígenas [2]. Em sua fala Txai disse: ‘vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis’ [3]. Vale lembrar que Bolsonaro, criticado internacionalmente por sua política ambiental, decidiu não comparecer ao evento . Esta também não é a primeira vez que lideranças indígenas são alvo de intimidações pelo governo: em março, Sonia Guajajara e Almir Suruí foram intimados a depor após acusação de difamação do governo federal feita pela Funai [veja aqui]. Além disso, Joenia Wapichana, única parlamentar indígena, teve fala silenciada e foi alvo de discriminação na Câmara dos Deputados [veja aqui]. As intimações de lideranças ocorrem em contexto em que a violência contra os povos indígenas bate recordes [veja aqui].

Leia sobre a ativista Txai Suruí.

03 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Número de indígenas assassinados em 2020 é o maior em 25 anos

Tema(s)
Povos indígenas
Medidas de estoque autoritário
Legitimação da violência e do vigilantismo

Em 2020, 183 indígenas foram assassinados no Brasil, o maior número em 25 anos [1]. De acordo com o Conselho Missionário Indigenista (CIMI), a situação foi agravada pela omissão do governo em controlar a pandemia [veja aqui] e promover conflitos territoriais [2]. No segundo ano de governo, foram registrados 263 casos de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio, um aumento de 137% na comparação com 2018 [3]. Vale ressaltar que nos primeiros meses da gestão de Bolsonaro houve queda de 70% nas operações de fiscalização efetuadas pelo Ibama na Amazônia e redução de 58% em todo o país, em comparação com o mesmo período do ano passado [veja aqui]. O então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também foi alvo de críticas ao apoiar ataques à servidores do Ibama em ações de fiscalização de extração de madeira ilegal em terras indígenas em Rondônia [veja aqui]. Desde a eleição de Bolsonaro, o Brasil vive uma ascensão de conflitos armados nas áreas rurais [4] e uma ampliação e facilitação do porte de arma para a população do campo [veja aqui] [veja aqui]. A violência contra os povos indígenas mais que dobrou no primeiro ano do governo de Bolsonaro [veja aqui]. Também por estes motivos o Brasil foi eleito o quarto país mais perigoso para ativistas ambientais em 2020 [veja aqui]. Além disso, Bolsonaro é alvo de representação no Tribunal Penal Internacional pelos crimes de genocídio e contra humanidade por implementar políticas predatórias contra indígenas [veja aqui]. Nesse cenário, cita-se que a Funai autorizou a ocupação de terras indígenas que aguardam demarcação [veja aqui] e o coordenador do órgão falou em fala em ‘meter fogo’ em indígenas isolados no Amazonas [veja aqui].

Leia o relatório completo sobre violência contra os povos indígenas do Brasil em 2020 e escute entrevista com Juma Xipaya, primeira cacica do médio Xingu, e ameaçada de morte.

04 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro declara que o Tribunal de Contas da União ‘deixou de ser um orgão que amendontrava’

Tema(s)
Administração, Equilíbrio Fiscal
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirma que o Tribunal de Contas (TCU) da União deixou de ser um órgão que ‘amedrontava’ e passou a ‘antecipar problemas’, durante a abertura do Fórum Nacional de Controle [1]. Bolsonaro também declara que o tribunal ‘participa das decisões como se fosse um ‘órgão integrado’ ao governo federal e que tem atuado para ‘evitar que processos sigam avante’ [2]. A fala de Bolsonaro ocorre em meio à possibilidade de transgressão do teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil, por meio da Proposta de Emenda Constitucional dos Precatórios [veja aqui]. A violação do teto de gastos é vista por especialistas como um indício de irresponsabilidade fiscal [3]. No mesmo dia da fala de Bolsonaro, o ministro do TCU, Augusto Nardes, sugere um ‘pacto’ com o Legislativo para o governo federal ‘gastar um pouco mais’ [4]. Vale ressaltar que, em junho deste ano, Bolsonaro usou um relatório falso advindo de auditor do TCU para afirmar que 50% das mortes no Brasil em 2020 não haviam sido em decorrência da covid-19 [veja aqui].

Leia sobre a suposta aproximação de Bolsonaro e o Tribunal de Contas da União.

04 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro chama de ‘estupro’ e ‘violência contra a democracia’ decisão do TSE de cassar deputado por fake news

Tema(s)
Conflito de poderes, Ditadura e memória, Eleições
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

O presidente da República, Jair Bolsonaro, chama de ‘estupro’ e de ‘violência contra a democracia’ a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato e tornou inelegível por oito anos o deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR) [1]. Na fala, Bolsonaro diz que a população deve se ‘revoltar’ contra a decisão e minimiza a repressão política feita durante a ditadura militar, afirmando que ‘nem na época do AI-5 se fazia isso, e o pessoal critica tanto nosso AI-5’ [2]. O Ato Institucional nº 5 (AI-5) foi um dos instrumentos mais repressivos da ditadura militar (1964-1985), responsável pela restrição de liberdades, pelo fechamento do Congresso e pela criação da censura prévia [3]. Francischini foi cassado por decisão do TSE, de 28/10, pela divulgação de notícias falsas contra as urnas eletrônicas, no dia das eleições de 2018 [4]. No vídeo, Francischini afirmou haver fraude no sistema eletrônico de votação para impedir o registro de votos em Bolsonaro [5]. No voto pela cassação do deputado, Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, disse que as acusações de Francischini são um ‘precedente perigoso’ [6]. Também na votação, Alexandre de Moraes, ministro do TSE e relator do inquérito das fakes news no Supremo Tribunal Federal (STF) [veja aqui], disse que Francischini ‘pegou carona’ na candidatura de Bolsonaro, o qual, desde a campanha presidencial [7] e também durante o exercício do mandato, fala contra as urnas eletrônicas [veja aqui]. Em 23/11, Bolsonaro volta a criticar decisões do TSE no sentido de cassar mandatos e desmonetizar páginas que promovem fake news sobre urna eletrônica, reafirmando ainda que elas são mais graves do que a repressão política praticada durante a ditadura militar [8].

05 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Ao comentar caso de jornalistas agredidos por sua equipe de segurança em Roma, Bolsonaro mente

Tema(s)
Imprensa, Informação
Medidas de estoque autoritário
Legitimação da violência e do vigilantismo

O presidente da República, Jair Bolsonaro, mente sobre agressão de jornalistas por seguranças da presidência no dia 31/08, durante comitiva em Roma [1]. Em entrevista, Bolsonaro se refere ao episódio como um ‘atrito’ e nega possível ‘agressão, soco, pancada’ contra os repórteres [2]. Além disso, Bolsonaro afirma que os jornalistas estavam falando coisas absurdas e que ao tentarem se aproximar foram barrados [3]. Ele também declara que o pessoal da ‘Folha de São Paulo, UOL e Globo’, está querendo responsabilizá-lo pelo episódio contra os repórteres [4]. Entretanto, a fala de Bolsonaro difere das versões apresentadas por jornalistas que estavam no local no momento da agressão [5]. A narração dos repórteres destaca que os seguranças empurraram e desferiram socos contra os jornalistas durante a visita de Bolsonaro à embaixada, além dos seguranças terem tentado impedir que as agressões fossem filmadas [6]. Um dos jornalistas agredido declara que ‘foi uma violência desproporcional’ [7]. Dia 05/11, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, deu dez dias para Bolsonaro se explicar sobre as agressões sofridas pelos jornalistas [8]. Em reação, os veículos de imprensa reagiram condenando veemente as agressões direcionadas às suas equipes, a Folha de São Paulo caracteriza o episódio como ‘mais um inaceitável ataque da Presidência de Jair Bolsonaro à imprensa profissional’ [9]. Desde que foi eleito, Bolsonaro vem xingando e agredindo verbalmente a imprensa brasileira; ele já insultou, por exemplo, as jornalistas Vera Magalhães [veja aqui], Constança Rezende [veja aqui] e Miriam Leitão [veja aqui]. Em 2020 e 2021, Bolsonaro falou que tinha vontade de encher a boca de um jornalista de porrada [veja aqui], acusou a imprensa de desinformação [veja aqui] e chamou uma jornalista de ‘quadrúpede’ [veja aqui]. Só no primeiro semestre deste ano, o presidente proferiu ao menos 87 ataques à imprensa [veja aqui]. Vale notar que a passagem de Bolsonaro pela Itália também foi marcada por confronto entre manifestantes e a polícia italiana, pelo isolamento de Bolsonaro no G20 e pelo encontro do presidente com o líder da extrema direita italiana [veja aqui].

Leia sobre os constantes ataque de Bolsonaro à imprensa.

06 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro cassa homenagem da Ordem do Mérito Científico para pesquisadores por divergências ideologicas com o governo

Tema(s)
Ciência, Negacionismo
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Um dia depois da concessão da Ordem Nacional do Mérito Científico [1], o presidente Jair Bolsonaro, revoga a homenagem [2] a dois pesquisadores, que têm posicionamentos divergentes aos defendidos pelo governo [3]. O médico Marcus Vinícius Guimarães, vetado da homenagem, produziu um dos primeiros estudos sobre a ineficácia da cloroquina no tratamento da covid-19 [4]. Já a médica Adele Benzaken, também retirada do rol de homenageados, é ex-diretora do Departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde [5]. Adele foi exonerada do cargo após editar uma cartilha sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis entre homens trans [6]. Aos veículos de imprensa, Marcus critica a revogação da homenagem e afirma que o governo, ao vetar os nomes, está promovendo uma ingerência política no mérito científico [7]. Marcus também declara que está sofrendo perseguição política desde que chamou atenção para a ineficácia do kit-covid [8]. Adele afirma que respeita a decisão do governo e que a gestão dela é técnica e baseada nas recomendações da OMS e da OPAS [9]. Em reação a revogação dos homenageados, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifesta repúdio a cassação dos nomes e declara que o governo agiu ‘como censor da pesquisa sem o devido respeito à verdade científica e à diversidade’ [10]. No dia 06/11, um grupo de 21 cientistas também condecorados pelo Mérito Científico renunciam à homenagem [11]. Quatro dias depois, mais de 270 cientistas e personalidades membros da Ordem Nacional do Mérito Científico divulgam carta de repúdio à revogação dos nomes dos dois médicos [12]. Vale ressaltar que desde o início da pandemia de covid-19 o governo Bolsonaro vem adotando um discurso anticientífico; Bolsonaro apoiou o uso de remédios ineficazes no combate a covid-19 [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui], colocou em xeque a credibilidade das vacinas [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui] e se opôs às medidas de distanciamento social, essenciais para o controle das transmissões da covid-19 [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui] [veja aqui].

Leia sobre como a postura de negacionista é uma estratégia de governo e ouça o podcast sobre os ataques de Bolsonaro à ciência.

06 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Decreto do governo esvazia mecanismos de fiscalização trabalhista

Tema(s)
Conflito de poderes, Trabalho
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O presidente da República, Jair Bolsonaro, assina decreto que restringe fiscalização trabalhista [1]. O decreto, que concentra em 15 normas conteúdo antes previsto em mais de mil decretos, portarias e instruções normativas em matéria trabalhista, prevê exclusividade ao Ministério do Trabalho e Previdência nas ações de fiscalização das relações de emprego [2]. O texto restringe exclusivamente aos auditores-fiscais do ministério a competência de fiscalizar o ‘cumprimento das normas de proteção ao trabalho e de saúde e segurança no trabalho’ [3]. Além disso, o decreto confere a esses servidores o título de autoridade nacional de inspeção no trabalho [4]. O Ministério Público do Trabalho (MPT) se manifesta contrário à previsão, prometendo questionar judicialmente a restrição [5]. O órgão público afirma que a disposição é ilegal, afora a insegurança jurídica gerada para a atuação da Polícia Federal, do Corpo de Bombeiros e do próprio MPT nas atividades de ficalização do trabalho [6]. Os procuradores lembram ainda que tal violação à competência de fiscalização do órgão já havia sido ameaçada pelo governo federal na medida provisória da ‘minirreforma trabalhista’, rejeitada pelo Senado [veja aqui][7]. Demais entidades ligadas à proteção dos trabalhadores, como a ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho) e a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho) também criticam a restrição prevista no decreto [8]. Em nota técnica sobre a minirreforma trabalhista proposta anteriormente por Bolsonaro, a ANPT afirmou que as operações de combate ao trabalho escravo, caso aprovada a então medida provisória, aconteceriam apenas por iniciativa e coordenação do Ministério do Trabalho [9]. Nesse sentido, o presidente da Anamatra, Luiz Colussi, prevê a desconsideração por juízes da nova norma, devido à inconstitucionalidade da lei [10]. Por meio de nota, o Ministério do Trabalho responde a jornal citando o artigo da CLT que confere ao ministério ‘a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho’, ainda que a lei trabalhista não restrinja a ele este direito [11]. Ademais, vale relembrar que também em 2019 e 2020 o governo Bolsonaro editou Medidas Provisórias flexibilizando direitos trabalhistas [veja aqui] [veja aqui].

Saiba mais sobre os principais pontos do decreto trabalhista.

07 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro faz motociata e ofende senador integrante da CPI da covid

Tema(s)
Negacionismo, Saúde
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

O presidente Jair Bolsonaro chama o senador e presidente da CPI da covid 19, Omar Aziz (PSD-AM), de ‘cara de capivara’ [1]. O ataque se dáeu em resposta a críticas de Aziz feitas em junho deste ano sobre a atuação do presidente na condução da pandemia, em ocasião que o parlamentar teria chamado Bolsonaro de ‘motoqueiro’ [2]. Mesmo com o relatório final da CPI imputando a Bolsonaro diferentes crimes – dentre ele, crimes contra a humanidade, epidemia com resultado em morte, charlatanismo, incitação, falsificação de documento particular, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação [veja aqui] -, ele afirma que que a única acusação relevante da CPI da Covid teria sido classificá-lo como motoqueiro [3]. A ofensa a Aziz é feita durante evento com apoiadores no Centro de Eventos de Ponta Grossa, no Paraná, após Bolsonaro participar de uma motociata organizada na região [4]. Levantamento feito pela imprensa mostrou que as ‘motociatas’ do presidente já custaram R$ 2,8 milhões aos cofres públicos, valor é referente a cinco viagens convocadas pelo mandatário [5]. O presidente vem desferindo diversos ataques a CPI e seus membros [veja aqui], [veja aqui].

Leia sobre os ataques de bolsonaro a CPI da covid 19.

07 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Durante governo Bolsonaro, Brasil tem menor número de autuações por crimes ambientais dos últimos 20 anos

Tema(s)
Meio Ambiente
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

O número de autuações ambientais durante o governo Bolsonaro é o menor registrado em 20 anos enquanto o desmatamento segue batendo recordes [1] [2]. Segundo apuração, em 2019, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou 12.375 multas [3]. Em 2020, esse número ficou em 11.064 [4]. Neste ano, até setembro, foram emitidas 9.182 multas [5]. Nos anos 2000 a 2010, por outro lado, o órgão ambiental emitia entre 20 mil e 25 mil autos de infração por ano, em média [6]. A redução das fiscalizações é resultado do progressivo processo de sucateamento dos órgãos de controle ambientais: nos últimos anos, o orçamento para fiscalização ambiental no Ibama e ICMBio reduziu em mais de 100 milhões [veja aqui] [veja aqui], e o governo estuda fusão entre os órgãos [veja aqui]. O Ibama sofre com o enfraquecimento da fiscalização ambiental [veja aqui], em decorrência de mudança nas regras de aplicação de multas [veja aqui] e menor contingente de fiscais desde 1989 [veja aqui]. O orçamento do MMA de 2021 é o menor do século XXI [veja aqui] e a pasta já anunciou a suspensão de todas as operações de combate ao desmatamento e queimadas sob justificativa de corte orçamentário, mas horas depois voltou atrás [veja aqui]. Vale lembrar também que o pagamento de multas ambientais caiu 93% nos primeiros anos do governo Bolsonaro, se comparado aos anos anteriores [veja aqui]. Esses números se contrapõem à postura do governo federal durante a Cúpula do Clima (COP-26), onde autoridades brasileiras têm feitos promessas de reduzir emissões de gases de efeito estufa [veja aqui] [veja aqui].

Leia sobre a relação do desmonte dos órgãos ambientais e o aumento das queimadas e do desmatamento.

08 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Secretário da Cultura proíbe que eventos financiados com recursos da Lei Rouanet exijam passaporte de vacinação

Tema(s)
Cultura, Negacionismo
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

O secretário especial de Cultura, Mário Frias, edita decreto [1] proibindo que eventos e atrações financiadas com a verba da Lei Rouanet exijam comprovante de vacina contra a covid-19 [2]. Segundo o decreto, caso seja requerido o passaporte sanitário para a participação em eventos, pode ocorrer a reprovação do financiamento público do projeto cultural e a expedição de multa [3]. No Twitter, Frias justifica que a proibição do passaporte de vacinação ‘visa garantir que medidas autoritárias e discriminatórias não sejam financiadas com dinheiro público federal e violem os direitos mais básicos da nossa civilização’ [4]. Em setembro, Frias já havia se referido ao passaporte vacinal como ‘abominável’ e que a pasta da Cultura não iria adotá-lo [5]. Poucos dias depois, empresa que realiza musical entra com ação para descumprir a medida adotada por Frias, o que é concedido pela justiça [6] [7]. A medida se alinha com a postura de Bolsonaro de se opor à adoção do passaporte vacinal: em 23/09, o presidente afirmou que o passaporte da vacina é um crime porque ‘a liberdade deve estar acima de tudo’ [id=5078]. Em 01/11, o ministro do Trabalho e Previdência publicou portaria que desobriga a exigência de vacinação como requisito para contratação e demissão de funcionários [veja aqui]. Vale ressaltar que desde a eleição de Bolsonaro, o orçamento destinado a programas culturais tem sido alvo de reduções. Em 2019, a Caixa Econômica criou novas regras para a avaliação de projetos culturais, com a verificação do posicionamento político dos artistas [veja aqui], e o filme sobre a história de Chico Buarque foi retirado de um festival de cinema, após pedido da Diplomacia brasileira [veja aqui]. Em 2020 e 2021, Bolsonaro declarou que não vai liberar recursos para filmes com tematica LGBTQIA+ [veja aqui], a Ancine cancelou chamadas públicas de promoção e financiamento de produções audiovisuais [veja aqui], o governo não lançou edital para novo mandato da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic) [veja aqui] e atrasou o tempo para a publicação de projetos através da Lei de Incentivo à Cultura [veja aqui].

Leia sobre a má gestão da pasta da Cultura no governo Bolsonaro.

08 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Ministro da Justiça ignora recomendação de especialistas e muda critério de repasse do fundo de segurança pública para os Estados

Tema(s)
Segurança pública, Transparência
Medidas de estoque autoritário
Legitimação da violência e do vigilantismo

O ministro da Justiça, Anderson Torres, modifica a fórmula dos cálculos da partilha do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) —e a nova metodologia de distribuição reduz cotas de Estados mais populosos e com maiores registros de criminalidade [1], como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais [2]. Em contrapartida, ela passa a aumentar a cota de unidades da federação menos populosas, como das regiões Norte e Nordeste, além do DF, onde Torres pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022 [3]. A parcela destinada a Brasília este ano deverá ser R$ 8,8 milhões maior do que os R$ 16,5 milhões previstos na proposta inicial [4]. O método utilizado para o rateio ignoraou as duas sugestões elaboradas por um grupo de trabalho criado pelo próprio ministério, com representantes dos Estados, para estabelecer critérios mais justos [5]. Em vez de considerar aspectos populacionais, índices de criminalidade, quedas de indicadores e tamanho dos efetivos policiais [6], o ministro decidiu usar como métrica principal a distribuição igualitária, metodologia que havia sido recusada pelo grupo de trabalho [7].Os chefes das polícias de Minas Gerais defende publicamente os critérios elaborados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão do ministério responsável pela principal proposta rejeitada [8]. Desde o início do governo Bolsonaro, a secretaria foi esvaziada [9], deixando de ser um ministério, e, em seguida, foi desmembrada para a criação de duas novas secretarias que acolheram delegados federais [10]. Sugestões de rateio feitas pela Senasp anteriormente à criação do grupo de trabalho já haviam sido desconsideradas [11].

Leia sobre o que é a Força Nacional de segurança Pública.

08 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Funcionários do INEP, órgão responsável pela elaboração do Enem, pedem demissão poucos dias antes da realização do exame

Tema(s)
Educação, Posicionamento político
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

Funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) pedem demissão a 13 dias do início da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) [1]. Nesta data, ao menos 33 funcionários se desligaram de cargos ligados à organização do Exame, marcado para 21 e 28 de novembro [2]. No pedido de dispensa, eles citam a fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do Inep [3]. Servidores do instituto também denunciam ter sofrido pressão psicológica e vigilância velada durante a elaboração do exame [4]. Em queixas relatadas a deputados da Frente Parlamentar de Educação, os servidores expuseram pressão por parte da direção do instituto para que evitassem escolher questões ‘polêmicas’ que poderiam incomodar o governo Bolsonaro [4]. A Associação dos Servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Assinep) afirmou, após reunião nessa quinta-feira 11/11, que entregará ao Congresso Nacional e aos órgãos de controle documento de denúncia contendo os relatos de assédio institucional e assédio moral [5]. A ausência dos servidores que se demitiram prejudica tarefas que atingem diretamente o andamento do Enem, como o acompanhamento pedagógico do gabarito e a divulgação das respostas [6]. Além disso, durante a aplicação do exame há uma preparação já para o próximo ano que pode ficar prejudicada com a saída de pessoas experientes da coordenação do processo, como a mudança em regras do edital e procedimentos novos a serem incluídos na operação da próxima edição [7]. Durante a gestão de Bolsonaro o governo federal vem combatendo o que considera como ‘ideologia de gênero’ nas escolas [veja aqui].

Leia sobre as denúncias feitas pelos dos servidores do inep.

09 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Ao comentar sobre Kassio Nunes Marques, Bolsonaro diz que tem ‘10% de mim dentro do STF’

Tema(s)
Posicionamento político
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirma que o ministro Kassio Nunes Marques representa 10% dele no Supremo Tribunal Federal (STF) e que o ministro age impedindo o avanço na corte de pautas não alinhadas aos interesses conservadores [1]. Na fala, Bolsonaro também diz que há ministros de esquerda no STF e que, caso reeleito, contará com quatro ministro do STF, mudando o que chamou de ‘linha’ da corte [2]. Nunes Marques foi indicado por Bolsonaro em 10/2020 [3] e tem demonstrado sintonia com governo em temas como a diminuição no controle de armas e a defesa do marco temporal para a demarcação de terras indígena [3]. O ministro também foi responsável pela perseguição a opositor do governo [veja aqui], por decisões individuais que permitiam a pesca predatória [veja aqui] e o funcionamento de templos religiosos durante as medidas de isolamento social, necessárias ao combate do covid-19 [veja aqui], além de ter se colocado a favor do voto impresso [veja aqui]. Em 13/07, Bolsonaro indicou para o cargo de ministro do STF André Mendonça [veja aqui], o qual classificou como ‘terrivelmente evangélico’ [veja aqui], e cuja sabatina no Senado Federal está marcada para 01/12 [4]. Em 06/10, Bolsonaro também sugeriu a cooptação do STF se vencer em 2022 e descreditou independência dos ministros que indica ao Supremo Tribunal Federal [veja aqui]. A fala de Bolsonaro ocorre em momento que precede a nomeação, pelo presidente, de 75 desembargadores federais [5] e dias após a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, de Proposta de Emenda à Constitucição, de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), que reduz da idade para a aposentadoria compulsória de ministros do STF, o que permitiria que Bolsonaro indicar mais outros dois ministros para a corte [6].

Leia mais sobre o alinhamento de Kassio Nunes aos interesses do governo e sobre a cooptação de insituições por Bolsonaro.

09 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Judiciário
Nível
Federal

STJ anula decisões no caso das ‘rachadinhas’, em que Flávio Bolsonaro é investigado

Tema(s)
Sistema penal e socioeducativo, Transparência
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) considera nulas as decisões do caso das ‘rachadinhas’ contra o senador Flávio Bolsonaro [veja aqui][1]. A Corte julgou que o juiz de primeira instância, Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, não tem competência para julgar o político [2]. Com a decisão, foram consideradas nulas todas as provas obtidas ou usadas até então [3]. A denúncia em julgamento acusa o parlamentar de reter parte do salário de servidores comissionados de seu gabinete na Assembleia Legislativa carioca, a chamada ‘rachadinha’ [4]. Flávio exerceu mandato na ALERJ entre fevereiro de 2003 a janeiro de 2019, mas o escândalo só veio à tona no final de 2018, quando o deputado estadual foi eleito para o Senado [5]. Por não ter tomado posse ainda como parlamentar federal, o caso foi julgado pela primeira instância do Tribunal de Justiça do Rio. [6]. Conforme precedente do STF, um ex-deputado estadual deve ser julgado na primeira instância, a menos que estivesse no cargo estadual quando o processo já tivesse atingido o final da produção de provas [7]. A decisão controversa do STJ gerou cŕíticas de juristas, os quais afirmam ser uma violação de tal precedente [8]. Vale lembrar que o pedido de anulação da ação e das provas foi apresentado ao STJ, corte presidida por João Otávio de Noronha, figura próxima de Bolsonaro, que, por sua vez, já afirmou que ‘cancelaria’ a ação contra Flávio caso pudesse [veja aqui][9].

Veja análise de especialista em processo penal sobre a decisão do STJ.

10 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Secretaria de Cultura contrata empresa pouco qualificada para a manutenção do Centro Técnico Audiovisual

Tema(s)
Cultura
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Secretário especial da Cultura, Mario Frias, contrata, por 3,6 milhões de reais e com dispensa de licitação, a empreiteira paraibana Construtora Imperial Eireli, fundada em 2019, para realizar a manutenção e conservação do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), órgão que reúne obras do cinema nacional no Rio de Janeiro e que estava sob risco de incêndio e desabamento, em razão de negligências do governo federal [veja aqui] [1]. Conforme publicação no Diário Oficial da União, a dispensa de licitação está amparada pela lei e justifica-se para ‘casos emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens’ [2]. A empresa contratada não tem funcionários registrados e sua sede situa-se em caixa postal dentro de um escritório virtual especializado em fazer ‘gestão de correspondências’ [3]. A construtora não tem site que detalhe suas atividades e nunca prestou serviços para o governo federal, apenas deu assistência a prefeituras da Paraíba em contratos de baixo valor [4]. Ao ser contatada, Araújo não dá detalhes dos serviços para os quais é contratada e diz que consistem em ‘demolir e reconstruir um prédio lá no Rio’ [5]. No entanto, o edital de contratação da Secretaria não cita ‘demolição’, apenas prevê ‘serviços técnicos especializados na área de engenharia para manutenção preventiva, corretiva, conservação predial e arquitetônica’ [6]. Nas redes sociais, a Secretaria afirma que o contrato obedece aos requisitos legais, que a empresa ‘possui inúmeros contratos anteriores com a administração pública’, que a proposta escolhida é a de menor valor e que a contratação não é realizada por Frias, apenas ratificada por ele para publicação no Diário Oficial [7]. Sobre o caso, Frias declara que ‘acusam-me de bloquear bilhões de reais e logo em seguida me acusam de corrupção num contrato que sequer fiz. Decidam-se, sou corrupto ou não libero dinheiro?’ [8]. Especialistas afirmam que, ao formalizar uma contratação, mesmo com dispensa de licitação, é obrigação da União conferir se a empresa tem a capacidade técnica e financeira para exercer aquele trabalho emergencial [9]. Parlamentares pedem ao Tribunal de Contas da União a suspensão do contrato realizado por Frias argumentando que ‘não se pode admitir a contratação de empresa sem qualquer experiência no ramo e sem referências objetivas que resguardem a prestação adequada do serviço de conservação e manutenção do CTAv’ [10]. Vale lembrar que em setembro de 2020, o Ministério do Turismo nomeou dentista para coordenar CTAv [veja aqui].

12 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Ministério Público
Nível
Federal

Procurador-Geral da República ajuiza ação no STF para diminuir poderes das Defensorias Públicas

Tema(s)
Prisões, Sistema penal e socioeducativo
Medidas de estoque autoritário
Restrição a direitos fundamentais

O Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, apresenta ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para limitar a atuação da Defensoria Pública da União [1]. No pedido, o procurador defende a proibição às defensorias de solicitar documentos, informações e diligências de outros órgãos públicos [2]. Aras, até então, já moveu 22 ações na Corte questionando legislações estaduais e federais que preveem o poder de requisição das defensorias [3]. Ao Supremo, o PGR alega haver desproporcionalidade nas prerrogativas de defesa entre advogados privados e a Defensoria, pois aqueles não teriam esse poder [4]. A investida é foco de diversas críticas de juristas, ativistas e de membros da própria PGR, dado que a Defensoria Pública é o principal e muitas vezes o único meio de acesso de cidadãos pobres ou em situação de vulnerabilidade à assessoria jurídica, segundo levantamento da própria defensoria [5]. Defensores também criticam a iniciativa, pois a prestação desse serviço à população seria inviabilizada [6]. Segundo eles, a estrutura precarizada das defensorias estaduais e federal, e o baixo contingente de servidores – desproporcional ao volume assistencial demandado ao órgão – já afetam seu trabalho de defesa [7]. Nove das ações propostas pela PGR tramitam atualmente no STF, entretanto, a principal delas – que possivelmente indicará a decisão dos demais pedidos na Corte – está paralisada por pedido de maior tempo para análise do ministro Alexandre de Moraes [8]. Além da atuação contra a Defensoria Pública, Aras já atuou em outros casos que envolviam a diminuição do acesso público a informações das instituições governamentais da qual faz parte [veja aqui].

Entenda melhor o papel das Defensorias, como funciona o poder de requisição e os argumentos contra e a favor desse instrumento.

12 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro ataca a COP-26 e afirma que faz o possível para mitigar as mudanças climáticas

Tema(s)
Meio Ambiente, Relações internacionais
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Em Dubai, Bolsonaro critica a Conferência do Clima (COP-26), principal evento para debater mudanças climáticas da ONU, dizendo que na COP ‘todo mundo tem a solução para o problema apontando o dedo para os outros’, e afirma que o Brasil é o que mais contribui para não emissão de gases estufa [1]. Criticado internacionalmente por sua política ambiental, Bolsonaro decidiu não comparecer ao evento e ainda atacou Txai Suruí, liderança indígena que discursou na abertura da conferência [veja aqui]. Contrariamente à fala do presidente, a pesquisa feita pela organização internacional Carbon Brief mostra que o país é o 4º no mundo em ranking de emissão de gases poluentes [2]. Essa é mais uma tentativa do governo de passar uma imagem de ambição ambiental: durante a COP 26, o Governo foi acusado de ‘pedalada climática’ [veja aqui] e, às vésperas do evento, propôs agenda de medidas de preservação do meio ambiente consideradas oportunistas [veja aqui]. Vale lembrar que a política ambiental do governo Bolsonaro já foi denunciada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) [veja aqui] e o governo foi apontado, pelo TCU, como responsável pelo desmatamento e queimadas da Amazônia [veja aqui]. Em outubro, foi processado por plano climático insuficiente [veja aqui].

Leia sobre a transição do Brasil de protagonista à pária internacional no debate sobre meio ambiente.

13 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Estadual

Funai restringe reserva indígena no Ceará

Tema(s)
Povos indígenas
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização
Estado
Ceará

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) reduz em cerca de cem hectares a terra indígena do povo tabeba, no Ceará [1]. Segundo reportagem desta data, o ‘encolhimento’ da reserva foi descoberto após denúncia de extração ilegal de argila, areia e madeira na região [2]. Ao apurar o crime, fiscais do Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (Imac), acompanhados pela Guarda Civil e Polícia Militar, constataram que o mapa da área à disposição da coordenação regional da FUNAI era diferente do apresentado pela Agência Nacional de Mineração [3]. Pelo mapa da FUNAI regional, a área do crime era indígena, já no segundo mapa, elaborado pela FUNAI de Brasília, não [4]. Segundo apuração, a redução do território aconteceu após o coordenador-geral de geoprocessamento da FUNAI de Brasília, Evandro Marcos Biesdorf, chefiar no começo do ano nova medição da reserva, alegando que as anteriores, de 1996 e de 2013, valeram-se de aparelho comum de GPS e não de equipamento mais preciso [5]. No entanto, a ação da equipe de Biesdorf não foi comunicada à coordenação regional da FUNAI e ao povo tapeba, contrariando o procedimento de demarcação de terras indígenas no país [6]. Essa não é a primeira vez que a FUNAI atua na contramão dos direitos indígenas: em março, o órgão acusou lideranças indígenas de difamação contra o governo federal [veja aqui]; e em agosto, defendeu a tese do marco temporal, que dificulta demarcação de terras para populações indígenas [veja aqui]. Ainda, em setembro, o presidente Marcelo Xavier desobedeceu acordo judicial referente à demarcação de terra indígena e foi acusado de improbidade administrativa [veja aqui].

Leia sobre as disputas e discursos sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil.

14 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro diz que Enem tem ‘a cara’ do governo e ministro da Educação o defende

Tema(s)
Educação, Posicionamento político
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

O presidente Jair Bolsonaro afirma que questões do Enem ‘começam agora a ter a cara do governo’ [1]. Os comentários do presidente se dão após funcionários do Inep pedirem demissão alegando terem sofrido pressão psicológica do governo para retirarem questões do Enem consideradas polêmicas [veja aqui]. Após o governo federal ser acusado de fazer intervenções na escolha das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) [veja aqui], Bolsonaro também afirma que o exame não terá ‘questões absurdas do passado’, e completa: ‘ ninguém precisa ficar preocupado, com ‘tema de redação’ que não tem ‘nada a ver com nada’ [2]. O presidente afirma também nesta data que as questões do exame costumavam ter ‘ativismo político’ e ‘comportamental’ [3]. Dias após as declarações de Bolsonaro, o Ministro da Educação Milton Ribeiro é chamado para prestar esclarecimentos na Comissão de Educação da Câmara sobre intervenções do governo de cunho ideológico, na formulação do Enem [4]. Ribeiro defende que ‘a cara do governo’ itada por Bolsonaro seria no sentido de ‘competência, honestidade e seriedade’ [5]. O ministro nega que tenha havido qualquer interferência ideológica na montagem da prova [6].

Leia sobre interferência do governo federal no Inep.

15 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Presidente da Fundação Palmares chama Zezé Motta e Djavan de ‘artistas desocupados’ e ‘pretos vergonhosos’ por manifestações antirracistas

Tema(s)
Cultura, Raça e etnia
Medidas de estoque autoritário
Ataque a pluralismo e minorias

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, compartilha nas redes sociais fotos dos artistas Zezé Motta e Djavan vestindo camisetas do movimento ‘Imagine a dor, adivinhe a cor’ (campanha de diversas instituições de direitos humanos que discutem pautas antirracistas) e declara que ‘Não existe nenhuma dor (angústia) exclusiva e específica dos negros por causa da cor da pele. Quem acredita nisso é racista ou um completo imbecil. As emoções dos negros são comuns a todos os seres humanos. O monopólio racial do sofrimento é uma invenção de artistas desocupados!’ [1]. Camargo também chama os artistas de ‘pretos vergonhosos’ [2]. No dia seguinte, Zezé Motta lamenta e rebate os comentários, a atriz afirma que ‘somos nós que lutamos todos os dias para que a ‘nossa’ Fundação Palmares, continue com a filosofia, ideologia e a linha de ação política implantada, que tanto lutamos para que fossem instauradas’ e defende que existe uma ‘dor ancestral, uma luta’ que ‘não vai acabar tão cedo, devido à ‘contribuição nefasta’ de certos tipos’ que promovem o ‘retrocesso’ e favorecem os ‘jogos de interesses’ [3]. Em seguida, Camargo continua fazendo publicações, dessa vez com a foto de Caetano Veloso usando a mesma camiseta, com os dizeres de que não é ‘escravo mental do Caetano’ e o chama de ‘falso grande artista’ e ‘babaca’ [4]. Após a repercussão negativa, o presidente da Palmares exclui as postagens [5]. Em outros momentos, Camargo criticou o diretor Wagner Moura por filme sobre Carlos Marighella [veja aqui] e o diretor Lázaro Ramos pelo filme ‘Medida Provisória’, que conta a história de uma distopia racial [veja aqui].

Leia as análises sobre o discurso negacionista promovido por Sérgio Camargo e o declínio da Fundação Palmares.

15 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro diz que Amazônia está preservada ‘como em 1500’

Tema(s)
Meio Ambiente, Negacionismo
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Durante evento para investidores em Dubai, Bolsonaro diz que a Amazônia está ‘exatamente igual quando [o Brasil] foi descoberto no ano de 1500’ e que as críticas que recebe não são justas [1]. O presidente afirma ainda que a floresta não enfrenta problema das queimadas porque é naturalmente úmida e que o país está de ‘portas abertas’ para investimentos na agricultura [2]. Apesar do esforço em melhorar a imagem ambiental do Brasil no mundo, o discurso de Bolsonaro contraria os fatos [3]. Pesquisas mostram que, em 2020, o bioma amazônico no Brasil já tinha 19% de sua vegetação convertida para pastagem, mineração e infraestrutura, entre outros [4]. Além disso, os alertas de desmatamento na Amazônia bateram recorde durante o governo Bolsonaro [veja aqui] [5]. Não é a primeira vez que o presidente e seus aliados distorcem informações sobre a situação ambiental do país: Bolsonaro criticou decreto que proíbe queimadas controladas e acusou indígenas pelos incêndios [veja aqui] e disse, em reunião com presidentes de outros países, que os incêndios na Amazônia seriam mentira [veja aqui]. Já Mourão divulgou dados falsos sobre desmatamento [veja aqui], disse junto ao ministro do Meio Ambiente que não existiriam queimadas na Amazônia [veja aqui] e que opositor do governo no Inpe seria responsável por divulgar dados negativos sobre queimadas [veja aqui]. Bolsonaro também já chegou a afirmar que o Brasil ‘está de parabéns’ pela preservação ambiental [veja aqui].

Ouça podcast sobre a visão de Bolsonaro sobre a Amazônia.

15 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Governo reduz verba de segurança pública para estados mais populosos

Tema(s)
Administração, Segurança pública
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Governo federal reduz verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), para 14 estados em 2021, segundo apuraçao da imprensa desta data [1]. A redução se dá em decorrência da mudança nos critérios de distribuição do fundo realizada por decisão do Ministro da Justiça, Anderson Torres, diminuiu as verbas para Estados mais populosos e com maiores registros de criminalidade,[2]. Os novos critérios contrariam as sugestões do grupo de trabalho criado pelo próprio ministério, formado por representantes dos estados para estabelecer parâmetros de distribuição mais justos [3]. Ao invés de considerar aspectos populacionais, índices de criminalidade, quedas de indicadores e tamanho dos efetivos policiais, o ministro decidiu usar como métrica principal a distribuição igualitária, metodologia que já havia sido recusada pelo referido grupo de trabalho. [4]. A decisão do ministro ignora também estudos feitos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) que previa distribuição de proporcional dos recursos de acordo com a necessidade de cada estado [5]. De acordo com a apuração da Imprensa, os estados onde as estimativas de receitas foram reduzidas como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, são bases eleitorais de desafetos ou de futuros adversários de Bolsonaro na corrida presidencial, em contrapartida, a estimativa de receita cresceu, além de no DF, em estados como Roraima, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte onde Bolsonaro tem articulado apoio para à reeleição [6]. Os valores serão destinados para investimentos principalmente em equipamentos, tecnologia, capacitações, valorização e melhoria da qualidade de vida dos profissionais da área da Segurança Pública [7].

Leia sobre a redução de verbas federais para a área de Segurança Pública em 2021.

15 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Ministério Público
Nível
Federal

Presidente da OAB tem microfone cortado após criticar Bolsonaro, em evento moderado pela subprocuradora-geral da República

Tema(s)
Posicionamento político
Medidas de estoque autoritário
Ataque a pluralismo e minorias

Presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, tem microfone cortado durante painel mediado pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo [1]. Felipe estava fazendo um discurso fervoroso quanto a necessidade de lutar pela democracia e quanto ao seu descontentamento com o governo federal e com a política econômica e social do Brasil [2]. Ele adotou uma postura fortemente opositora no que concerne às ações de resistência do governo no combate a pandemia de covid-19, além disso também evidenciou o avanço da insegurança alimentar no país, da precarização do trabalho e da desigualdade social [3]. Minutos antes do microfone ser cortado, a subprocuradora havia alertado Felipe sobre estar excedendo o limite de tempo previsto para a fala [4]. Após o corte abrupto que ainda não se sabe por quem foi comandado, Felipe é ovacionado por aplausos [5]. Posteriormente, Lindôra retoma a fala e declara que não entendeu o ‘discurso político’ de Felipe [6]. A subprocuradora é vista como um braço direito do procurador da República, além de ser reconhecida por ter decisões alinhadas ao governo Bolsonaro; em 2020, Lindora foi responsável pela abordagem atípica na Operação Lava Jato [veja aqui]. Este ano, a subprocuradora enviou parecer ao STF colocando em xeque à eficácia das máscaras como meio de prevenção da covid-19, em ação que pedia o indiciamento de Bolsonaro por crime contra a saúde pública diante das inúmeras presenças do presidente em aglomerações sem o uso de máscaras [veja aqui].

Leia sobre como a Procuradoria-Geral da República endossa discursos de Bolsonaro.

16 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Governo federal censura questões do Enem, incluindo texto de Friedrich Engels

Tema(s)
Educação, Posicionamento político
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Governo Bolsonaro é acusado de fazer intervenções na escolha das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) [1]. Segundo apuração da imprensa realizada em 17/11, 24 questões do exame foram retiradas após uma ‘leitura crítica’, sob o argumento de serem ‘sensíveis’; depois, 13 delas voltaram a ser incluídas e 11 foram vetadas [2]. Para analisar as questões, servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), tiveram de imprimir a prova previamente, em um procedimento não adotado em anos anteriores [3]. Tal apuração se dá alguns dias após funcionários do Inep pedirem demissão por estarem sofrendo pressão psicológica do governo para retirarem questões do Enem consideradas controversas [veja aqui]. Nesta data, Jair Bolsonaro, ao conversar com apoiadores no Palácio do Planalto, nega que tenha havido interferências na elaboração do Enem [4]. Para especialistas, a crise no Inep, que começou com a demissão em massa de servidores, reflete desmonte das políticas de Educação no país [5]. Em 07/07 o Ministro da educação Milton Ribeiro é chamado para prestar esclarecimentos na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados sobre estabelecimento de uma comissão de revisão para retirar questões do Enem que tivessem ‘cunho ideológico’ [veja aqui]. Uma das questões escolhidas para serem excluídas do Enem pelo Inep, após leitura crítica do órgão, trazia o tema da luta de classes, através de um trecho da obra do escritor alemão Friedrich Engels ‘A situação da classe trabalhadora na Inglaterra’, escrita em 1845, onde o autor diz que a classe média têm interesses opostos aos da classe operária; contudo, a questão acabou sendo mantida por motivos técnicos de balanceamento entre questões fáceis, moderadas e difíceis na composição da prova [6]. Especialistas afirmam que a censura das questões é uma situação preocupante, pois mostra o descaso do governo federal com o maior exame educacional do país e o segundo maior do mundo [7]. Vale lembrar que, em 2019, a gestão Bolsonaro criou uma comissão para retirar ‘questões ideológicas’ do exame nacional, dentre os enunciados excluídos estavam perguntas relacionadas à personagem de quadrinhos Mafalda, letras de música de Madonna e Chico Buarque e poemas de Ferreira Gullar e Paulo Leminski [veja aqui].


Leia mais sobre as alterações feitas pelo governo federal no Enem.

17 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Governo omite dados sobre desmatamento na Conferência do Clima da ONU

Tema(s)
Informação, Meio Ambiente, Transparência
Medidas de estoque autoritário
Construção de inimigos

Durante a Conferência do Clima da ONU (COP 26), o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, diz que não conhece os números do desmatamento na Amazônia [1]. As estimativas anuais, medidas pelo programa PRODES do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), só vêm a público no dia 18 de novembro, cinco dias após o final do evento [2]. No entanto, segundo apuração, o Inpe concluiu os dados de desmatamento da Amazônia e inseriu o relatório no sistema eletrônico de informações do governo federal em 27 de outubro, 4 dias antes do início da COP 26 [3]. A informação contraria a declaração dada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, de que os dados não foram divulgados antes da Conferência do Clima da ONU porque ele ‘estava de férias’: a agenda oficial do ministro registra férias no período de 8 a 19 de novembro [4]. A taxa de desmatamento medida pelo Inpe é a maior já registrada desde 2006 e contraria relatório oficial levado pelo governo Bolsonaro à COP 26 [5]. O documento, que compõe as diretrizes para neutralidade climática no Brasil, aponta redução de 5% de desmatamento na Amazônia [6]. Essa é mais uma tentativa do governo de passar uma imagem de ambição ambiental: durante a COP 26, o Governo foi acusado de ‘pedalada climática’ [veja aqui] e, às vésperas do evento, propôs agenda de medidas de preservação do meio ambiente consideradas oportunistas [veja aqui]. Vale lembrar que a política ambiental do governo Bolsonaro já foi denunciada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) [veja aqui] e o governo foi apontado, pelo TCU, como responsável pelo desmatamento e queimadas da Amazônia [veja aqui]. Em outubro, foi processado por plano climático insuficiente [veja aqui].

Leia sobre as tentativas do governo para passar uma imagem ‘ambientalista’ na COP 26.

18 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Inep impõe sigilo sobre processo relacionado a entrada de agente federal na sala de elaboração das questões do Enem

Tema(s)
Educação, Informação
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

A presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) tornou sigiloso o processo interno que permitiu a entrada de um policial federal na sala segura do órgão, onde as questões do Enem são elaboradas, de acordo com levantamento da imprensa nesta data [1]. O processo foi posto em sigilo, mas não há nenhuma justificativa para a restrição, requisito imposto pelo ordenamento interno do órgão [2]. Servidores do Inep relatam que a entrada do agente representa uma vulnerabilidade do sistema e também questionam o sumiço de documentos no processo interno do caso [3]. Para os veículos de imprensa, a Polícia Federal afirma que anualmente o órgão participa das operações de segurança do exame e que tanto a sala segura quanto a gráfica de impressão das provas foram inspecionadas [4]. O Inep declara que o agente esteve na sala no dia 02/09, para conferir a ‘segurança do ambiente, dos equipamentos, do controle de acesso, dos níveis de segurança de acesso’ [5]. No dia 17/11, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, ao ser questionado por parlamentares sobre o episódio, afirmou que foi uma inspeção normal [6]. A ex-presidente do Inep no governo Temer declara que a vistoria é atípica e que ‘nunca houve isso em nenhum ano anterior’ [7]. Em 19/11, dezesseis deputados acionam o Ministério Público Federal para apurar os motivos por trás da colocação de sigilo nos documentos sobre o caso [8]. Esse episódio soma-se a outros eventos recentes que colocam em xeque a credibilidade do Inep e a segurança do Enem, dias antes da realização da prova: Em 09/11, 33 funcionários se desligaram do Inep sob justificativa de fragilidade técnica e administrativa do órgão [veja aqui]. No dia 15/11, Bolsonaro afirmou que as questões do Enem ‘agora começam a ter a cara do governo’ [veja aqui], dois dias depois, o governo foi acusado de intervir na escolha das questões do exame [veja aqui]. Em 18 e 19 de novembro, a imprensa revela que Bolsonaro solicitou que as questões sobre a ditadura militar se referirem ao golpe como ‘revolução de 1964’ [veja aqui] e que o MEC tentou inserir docentes não habilitados para elaborar o Enem [veja aqui].

Leia sobre a crise no Inep e as possíveis consequências para o Enem.

18 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Governo decreta situação de emergência em ao menos 60 cidades em MG

Tema(s)
Administração, Meio Ambiente
Medidas de emergência
Restrição a direitos fundamentais

O Governo Bolsonaro decreta estado de emergência em mais de 30 cidades do norte de Minas Gerais alegadas por fortes chuvas, que também assola municípios no sul da Bahia [veja aqui][1]. Em evento na base da Marinha no Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou estar aguardando o contato de prefeitos e governadores para o envio de militares aos locais afetados, ainda que já soubesse dos desastres ocorridos [2]. Ao ser questionado sobre as medidas que seriam tomadas pelo executivo federal, o presidente informou que ainda não havia conversado com os governadores mineiro e baiano, mas que com o primeiro, Romeu Zema (NOVO), seu aliado político, deveria conversar em breve [3]. Enquanto isso, a tragédia no estado mineiro já havia matado ao menos seis pessoas, e desalojado mais de 2.000 [4].Porém, afirma que com o governador da Bahia, o petista Rui Costa, não houve ainda contato, mesmo o estado nordestino tendo mais de 100 cidades sofrendo com enchentes [veja aqui][5]. O governo Bolsonaro já negligenciou em outras ocasiões desastres ambientais como quando, em agosto, o ministro de Minas e Energia ignorou os níveis baixos dos reservatórios de água [veja aqui] e omitiu informações referentes à crise hídrica [veja aqui].

Saiba mais sobre o significado de estado de calamidade pública.

18 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

MEC tentou inserir professores não habilitados para elaborar ENEM

Tema(s)
Educação, Posicionamento político
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O Ministério da Educação (MEC) tentou inserir 22 nomes no grupo de elaboradores e revisores de itens do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sem a devida aprovação em processo seletivo para tanto [1]. Segundo apuração jornalística, a lista elaborada pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Danilo Dupas, teve anuência do MEC [2]. A lista descoberta em abril por funcionários do Inep contém nomes de professores apoiadores do governo Bolsonaro [3] [4]. A tentativa de incluir elaboradores e revisores na prova do Enem fora do processo seletivo desrespeita os preceitos técnicos da elaboração da prova, dado que sua montagem conta com colaboradores e revisores externos selecionados através de edital de seleção [5], pelo qual é avaliado o currículo e a formação acadêmica, além de ter como critério de seleção experiência em elaboração e revisão de questões de prova de ensino médio [6]. Além disso, os selecionados participam de um curso de formação sobre ‘as normas e os procedimentos técnicos exigidos para desenvolver o trabalho’[7]. Após manifestações contrárias dos funcionários em relação a lista, Danilo Dupas, voltou atrás e a descredenciou [8]. As censuras e pressão do governo Bolsonaro sobre os órgãos envolvidos na realização do exame são muitas:o governo censurou um artigo científico produzido pelos servidores do Inep sobre índice de analfabetismo[[veja aqui]; recentemente na aplicação do exame, última semana de novembro, o Inep censurou uma questão sobre luta de classe[veja aqui].

19 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Estadual

Polícia Civil da Bahia intima professora por queixa de conteúdo ‘esquerdista’

Tema(s)
Educação, Liberdade Acadêmica
Medidas de estoque autoritário
Legitimação da violência e do vigilantismo
Estado
Bahia

Uma professora de filosofia da rede pública de ensino estadual da Bahia recebe intimação policial após queixa de aluna denunciando a apresentação de ‘conteúdo esquerdista’ em sala de aula [1]. As temáticas expostas pela professora envolviam assuntos relacionados a questões de gênero, racismo, assédio, machismo e diversidade [2]. A direção da escola divulga nota de repúdio à atitude policial, afirmando haver censura, violação às disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) e do Plano Nacional de Educação, além de ‘enviesamento dos conhecimentos historicamente construídos e dos fenômenos sociais’ [3]. A Associação dos Professores Licenciados do Brasil (APLB) também lança nota em que afirma que iniciativas como estas são ‘tentativas de intimidação, coação e pressão psicológica por grupos de extrema direita que tentam cercear a livre expressão’ [4]. Em 19/11, alunos da escola fazem protesto em apoio à professora, gritando palavras de ordem, como: ‘a escola é um ambiente democrático onde nós estudamos e vamos defender os nossos mestres. Enquanto existir democracia, nós estaremos reunidos’ [5]. Em manifestação sobre o caso, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia destaca que a LDBEN assegura o respeito à liberdade e o apreço à tolerância, além de garantir o livre exercício da docência [6]. A secretaria diz ainda que os conteúdos ministrados pela professora em sala de aula estão em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial Curricular do Estado, acompanhados pela Coordenação Pedagógica da escola [7]. Em 24/11, grupo protesta em defesa da liberdade acadêmica em frente à delegacia responsável pela intimação da professora [8]. Em repressão ideológica de professores, inclusive com o uso de força policial, também já foi registrada nos estados do Rio de Janeiro [veja aqui], Rondônia [veja aqui], Mato Grosso [veja aqui] e também no Distrito Federal [veja aqui]. Em 09/2019, o Ministério da Educação enviou comunicado a todas as secretarias estaduais e municipais de ensino do país contendo orientações sobre como manter um ambiente escolar ‘sem doutrinação’, que evite a veiculação de propaganda político-partidária [veja aqui][9].

Leia mais sobre as tendência autoritárias na educação brasileira.

19 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Presidente Jair Bolsonaro nomeia pessoa inexperiente para a direção-geral do Arquivo Nacional

Tema(s)
Cultura
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O presidente Jair Bolsonaro nomeia para a direção-geral do Arquivo Nacional, entidade que gere documentos produzidos e recebidos em todos os órgãos federais, o advogado Ricardo Borda D’Água de Almeida Braga no lugar da bibliotecária Neide de Sordi [1]. Braga é funcionário aposentado do Banco do Brasil e dono da empresa ‘Consultoria e Treinamento em Segurança’ [2], foi subsecretário de Prevenção à Criminalidade da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, entre 2019 e 2020, durante o governo de Ibaneis Rocha (MDB) [3]. Não constam informações públicas acerca da trajetória profissional do novo diretor-geral que satisfaçam os requisitos necessários, determinados por decreto presidencial, para investidura no cargo, quais sejam: possuir experiência profissional de, no mínimo, 5 anos em atividades correlatas às áreas de atuação do órgão, ter ocupado cargo em comissão ou função de confiança equivalente a DAS de nível 3 ou superior em qualquer Poder, possuir título de mestre ou doutor em área correlata às áreas de atuação da entidade [4]. Entidades ligadas à pesquisa nacional fazem manifesto intitulado ‘Queima de arquivo, não’ contra o novo diretor-geral, no qual consta a reivindicação de nomeação de ‘um profissional com qualificação técnica e experiência na área, conforme manda a legislação’ e que não há razoabilidade em nomear alguém cujo currículo não faz menção à ‘gestão de documentos e/ou formação em arquivologia, ciência da informação, história, patrimônio cultural, memória, preservação e áreas correlatas’ [5]. A nomeação de Braga traz desconfianças quanto ao destino de documentos públicos, principalmente os relacionados à ditadura militar, tendo em vista a paralisação do projeto Memórias Reveladas [veja aqui] e a edição de medidas que desobrigaram o Arquivo a pedir autorização antes de eliminar um documento [6]. O Ministério Público Federal investiga a nomeação [7]. Também ocorreram nomeações atécnicas para as superintendências [veja aqui], para a chefia de departamento [veja aqui] e para a presidência [veja aqui] do Iphan. O desmonte cultural através de nomeações inadequadas para cargos de chefia também aconteceram na secretaria especial da Cultura [veja aqui], na Funarte [veja aqui] e na Biblioteca Nacional [veja aqui].

Leia a análise sobre a nomeação de Ricardo Braga para a direção-geral do Arquivo Nacional.

19 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro solicita troca da palavra’golpe’ por ‘revolução’ para se referir ao marco inicial da ditadura de 1964 no Enem

Tema(s)
Educação
Medidas de estoque autoritário
Violação da autonomia institucional

O presidente Jair Bolsonaro solicita ao Ministério da Educação (MEC) a troca de termos que abordem a ditadura militar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), demandando que o termo ‘golpe’ seja substituído por ‘revolução’ de 1964 [1]. A justificativa do presidente é que a forma de abordagem promove a doutrinação e que o Enem deve servir para medir o conhecimento do estudante e não propagar ideologias [2]. O pedido de Bolsonaro condiz com sua afirmação que o Enem deve ter a ‘cara do governo’ [veja aqui]. Desde de 2019 o exame não cobra questões sobre o período da ditadura militar [3]. O pedido informado pelo ministro da educação, Milton Riberio, no início de 2021 não foi atendido, segundo apuração jornalística dessa data [4]. As sucessivas interferências do governo federal no MEC e no Enem pretendem desarticular o que é considerado uma das vias mais importantes para tornar o ensino superior no Brasil inclusivo, já que o exame tem abrangência em todo território beneficiando estudantes pobres e pretos [5]. Essa não é a primeira medida de ingerência do governo Bolsonaro no Enem: o governo federal censurou 24 questões [veja aqui] da prova, além disso, implantou um tribunal ideológico a fim de ‘não permitir questões subjetivas’[veja aqui]. As agressões ao INEP, bem como as censuras e pressão sobre os funcionários envolvidos na realização do exame culminaramou no pedido de demissão de 37 funcionários diretamente ligados à coordenação do Enem [veja aqui].

19 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Servidores do INEP denunciam que Governo Bolsonaro censurou publicação de artigo científico sobre índice de analfabetismo no país

Tema(s)
Educação, Liberdade Acadêmica
Medidas de estoque autoritário
Centralização de poder

Governo federal censura artigo de servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) sobre índice de analfabetismo no país [1]. Nesta data, a Associação dos Servidores do Inep (Assinep) acusa o governo Bolsonaro de ‘censurar’ a publicação de um artigo científico que mostrava a evolução nos indicadores de alfabetismo no país em função do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) [2]. Segundo a associação o motivo da censura seria o fato do estudo apontar que o Pnaic, programa que teve origem no primeiro mandato do governo Dilma Rousseff, foi responsável por um ‘aumento na proficiência em matemática e linguagem’ na educação básica ‘comparado a outras intervenções estaduais’, e que o programa trouxe retorno econômico sobre o investimento de 2,7 bilhões de reais que custou aos cofres públicos [3]. O estudo está pronto para publicação desde 30 de abril, porém nunca foi publicado pelo governo federal e foi ignorado na nova política nacional de alfabetização da atual gestão [4]. Em maio deste ano, os autores da publicação foram informados que antes de ser publicado o texto deveria passar por um ‘comitê editorial’ do instituto, o que não era praxe nos procedimentos institucionais [5]. Até agora nenhum comitê foi criado e também não foram dadas justificativas para a não publicação do artigo científico em questão [6]. Em nota, assinada por Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação do governo Dilma, afirma que ‘infelizmente, o Pnaic foi descontinuado da gestão Temer e liquidado no governo Bolsonaro em sucessivas e desastrosas gestões do MEC’ [7]. Este ano O Enem teve perguntas censuradas, consideradas polêmicas pelo governo federal ref [id=5253].Este ano o Enem teve perguntas censuradas, consideradas polêmicas pelo governo federal ref [id=5253], Em 11/09 funcionários do Inep pediram demissão por alegarem sofrer pressão psicológica para censurar questões do Exame [veja aqui].

Leia sobre publicação científica barrada por lideranças do Inep.

20 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Distrital

Polícia Militar pede que escola retire cartazes do Dia da Consciência Negra

Tema(s)
Liberdade Artística, Raça e etnia
Medidas de estoque autoritário
Ataque a pluralismo e minorias
Estado
Distrito Federal

Diretor disciplinar, o tenente Araújo, solicita à vice-diretora do Centro Educacional (CED) 1 na Estrutural (DF), escola cívico-militar, que retire cartazes feitos por alunos do 8º e 9º ano para a comemoração do Dia da Consciência Negra e que contêm charges, desenhos e textos homenageando personalidades, falando sobre racismo e discriminação e criticando a violência policial contra a população negra [1]. A vice-diretora, Luciana Pain, nega o pedido, pois a escola não iria ‘censurar o trabalho de alunos’, e defende que o regimento das escolas cívico-militares é claro quanto à autonomia didático-pedagógica e que não pode ocorrer ‘essa interferência’ [2]. Ela sugere que o tenente utilize a oportunidade para debater o tema com os alunos e ele responde que irá remeter a questão aos seus superiores [3]. A Polícia Militar (PM) diz que não houve pedido para retirada dos cartazes, mas ‘uma consultoria junto à direção da escola sobre o tema abordado, uma vez que não condiz com a realidade e a decisão foi tomada de maneira unilateral, sem qualquer diálogo com a coordenação disciplinar que faz parte da gestão compartilhada da escola’ [4]. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) denuncia o caso à Secretaria de Segurança Pública, à corregedoria da PM, à Secretaria de Educação, ao comitê de ética da Câmara Federal e ao Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público (MPDFT) [5]. A Secretaria de Educação diz que considera ‘preocupante o fato de um estudante ter a imagem das Forças de Segurança associada ao racismo ou ao nazismo e acha importante que o tema seja debatido durante o processo pedagógico’ [6]. Em dezembro, pais de estudantes, representantes da OAB, do movimento negro, da União Brasileira de Estudantes e deputados da Câmara Legislativa do DF se reúnem na escola para protestar e pedir liberdade de expressão aos alunos e aos docentes [7]. Em maio de 2022, Pain é exonerada, gerando protestos por parte dos estudantes [8], que são repreendidos pela PM; um dos policiais ameaça aluno dizendo que iria ‘arrebentá-lo’ [9]. Em 2019, os militares apagaram um grafite no muro da CED 1 Estrutural com o rosto de Nelson Mandela e outros desenhos dos alunos . Vale lembrar que deputado aliado à gestão Bolsonaro quebrou placa que denunciava genocídio da população negra [veja aqui] e associação de PMs apresentou pedido de esclarecimento criminal contra cartunistas por charges sobre violência policial [veja aqui].

Leia as análises sobre violência policial contra negros no Brasil, sobre como funcionam as escolas militarizadas e seu desempenho. Ouça as análises sobre racismo e atuação policial e sobre o plano do governo Bolsonaro para as escolas cívico-militares.

22 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Ministério Público
Nível
Estadual

Após operação policial no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro, oito corpos são achados no local

Tema(s)
Raça e etnia, Segurança pública
Medidas de estoque autoritário
Legitimação da violência e do vigilantismo
Estado
Rio de Janeiro

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro realiza operação no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e oito pessoas são encontradas mortas em uma região de manguezal do bairro [1]. A Polícia Civil identifica seis das oito vítimas [2] e, segundo a corporação, duas não tinham passagens pela polícia [3]. A ação do Bope na comunidade é realizada após a corporação receber informações de que um policial militar havia sido morto em um patrulhamento na região [4]. Durante a operação, os policiais apreenderam munições de fuzil, carregadores e uniformes camuflados [5]. O Governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro disse que ¨ Ninguém vai camuflado para o mangue trocar tiro com a polícia de airsfoft… Se foi completamente vestido camuflado trocar tiro com a polícia no mangue, certamente coisa boa não estava fazendo”. Moradores do Complexo do Salgueiro relatam que os corpos apresentam sinais de tortura e que a ação foi uma chacina [6], uma das testemundas afirma que uma das vitimas estava com a garganta ‘raspada de faca’ e um tiro que entrou pelas costas e saiu pela barriga [7]. — as vítimas foram atingidas, por pelo menos 47 tiros de fuzil na cabeça e no tórax [8], segundo reportagem da Globo os policiais que participaram da operação dispararam um total de 1.514 tiros [9]. Entidades de defesa de direitos humanos como a Defensoria Pública, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, cobraram investigações rigorosas e que o caso ainda está mal explicado [10]. Os assassinatos ocorrem durante período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu as operações policiais no Rio de Janeiro a casos excepcionais por conta da pandemia da covid-19 [11]. Desde então, as polícias ficaram obrigadas a informar ao Ministério Público a ocorrência das operações e o que justificou a excepcionalidade, entretanto o Ministério Público afirma que as polícias Militar e Civil não têm o dever de comunicar ações rotineiras ao órgão [12]. A Polícia Civil investiga o motivo de a Polícia Militar não ter comunicado a operação no Complexo do Salgueiro à Delegacia de Homicídios de Niterói ou ao Ministério Público [13]. Mesmo com a decisão do STF, outras chacinas ocorreram recentemente [veja aqui] no Rio de Janeiro, durante operações policiais elogiadas pelo presidente Bolsonaro [veja aqui].

Leia análise sobre as operações motivadas por vingança.

23 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Legislativo
Nível
Federal

Contrariando STF, Congresso não revelará nomes envolvidos no orçamento secreto nos anos de 2020 e 2021

Tema(s)
Conflito de poderes, Orçamento
Medidas de estoque autoritário
Redução de controle e/ou centralização

Ato conjunto assinado pelos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), afirma que o Congresso Nacional não divulgará os nomes dos deputados e senadores que direcionaram verbas do ‘orçamento secreto’ [veja aqui] nos anos de 2020 e 2021 e que só abrirá informações sobre solicitações feitas a partir de 2022 [1]. O ato contraria decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou ao Executivo e ao Legislativo dar ampla publicidade sobre a distribuição das verbas, denominadas emendas de relator, do orçamento secreto [2]. Na mesma data, Pacheco e Lira apresentam petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde afirmam que não têm como cumprir a ordem da corte de dar publicidade à destinação das emendas de relator de 2020 e 2021 e se comprometem a dar ampla transparência à execução dessas verbas dali em diante [3]. Os congressistas pedem também a reversão da decisão da corte que impôs transparência ao orçamento secreto [4]. Apesar da alegação de impossibilidade de transparência em relação às emendas secretas dos anos de 2020 e 2021, apuração jornalística demonstra que o governo e a cúpula do Congresso detêm as informações sobre os beneficiados com os repasses [5]. Em 29/11, o Congresso aprova projeto de resolução que determina a divulgação dos nomes de congressistas que indicarem a destinação de verbas do orçamento secreto a partir do orçamento de 2022, sem revelar quem manejou o dinheiro em 2020 e 2021 [6]. A resolução também cria limite para o valor total das emendas de relator – na prática, os recursos poderão superar R$ 16 bilhões no ano eleitoral de 2022 [7]. No dia seguinte, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma que as emendas de relator são usadas pelo governo e a cúpula da Câmara e do Senado para fidelizar sua base no Congresso e obter apoio para votações importantes e que sua distribuição a parlamentares é feita com base em critérios exclusivamente políticos [8]. Em nota, consultor do Senado Federal afirma que a cúpula do Congresso descumpre a decisão do Supremo sobre o orçamento secreto ao editar o ato conjunto e votar a resolução e que, diferentemente do argumento de Lira e Pacheco, é possível revelar quem são os parlamentares beneficiados com a distribuição de verbas bilionárias nos dois últimos anos [9]. Em 12/2021, a Câmara começa a publicar nomes dos parlamentares que solicitaram repasses de emendas de relator, mais ainda de forma incompleta, visto que em alguns casos aparecem apenas os nomes de prefeitos, e não dos parlamentares solicitantes dos repasses que formam a base do orçamento secreto; não são apresentados também os critérios para a distribuição de valores, apenas registros de demandas [10]. Em 03/2022, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso define que, mesmo em relação às verbas do orçamento secreto em 2022, não será obrigatório divulgar todos os nomes dos parlamentares beneficiados com emendas de relator e indica a continuidade na falta de transparência, visto que a divulgação do nome dos parlamentares que apadrinham os recursos se tornou optativa [11]. No mesmo mês, a Transparência Internacional Brasil denuncia retrocessos no combate à corrupção no Brasil em relatório enviado à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), alegando, dentre outros ponto, a falta de transparência do processo legislativo, principalmente com o orçamento secreto na gestão do presidente Câmara, Arthur Lira (PP-AL) [12].

Leia mais sobre o que é o orçamento e veja argumentos contra e a favor as emendas de relator.

25 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Em desacordo com recomendação sanitária da Anvisa, Ministo da Justiça diz que não irá cobrar certificado de vacinação de viajantes que chegam ao Brasil

Tema(s)
Negacionismo, Saúde
Medidas de emergência
Flexibilização de controle

O Ministro da Justiça, Anderson Torres, contraria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e se diz contra a cobrança de comprovação da vacinação de estrangeiros que entram no Brasil [1]. Nesta data, o ministro declara declarou que é contrário a exigência do certificado de vacinação contra a covid-19, como forma de liberar a entrada de viajantes de outros países que chegam ao Brasil e diz que a vacina ‘não impede a transmissão da doença’ [2] Torres e os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Casa Civil, Ciro Nogueira, são responsáveis por decidir sobre as regras de controle de fronteiras no Brasil durante a pandemia [3]. Procurado pela imprensa, o ministro afirma que a posição contrária ao comprovante de vacinas nas fronteiras é pessoal e que oficialmente ‘não tem nada decidido ainda’ [4]. A Anvisa recomenda combinar a testagem dos viajantes com a vacinação como forma de impedir a disseminação do vírus e diz em nota técnica que dados disponíveis ‘indicam claramente que a vacinação continua sendo a estratégia chave para o controle da pandemia de Sars-CoV-2, inclusive da propagação de variantes’ [5]. Especialistas apoiam a implementação do ‘passaporte de vacinas’ criticado pelo ministro da justiça, e afirmam que ele é importante para incentivar que mais pessoas se vacinem e para impedir a propagação do coronavírus [6]. O governo federal vem contrariando recomendações da Anvisa durante a pandemia, como na ocasião em que a vacinação para adolescentes foi suspensa após pressões do presidente Jair Bolsonaro [veja aqui]. O ministro da Saúde Marcelo Queiroga diz que governo ainda avalia exigência do passaporte vacinal [7].

Leia sobre o passaporte de vacinas.

26 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Secretário nacional de Fomento e Incentivo à Cultura ameaça ingressas com notícias-crime contra veículos de mídia que repercutirem Papai Noel homossexual

Tema(s)
Cultura, Liberdade Artística
Medidas de estoque autoritário
Ataque a pluralismo e minorias

O secretário nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciúncula, diz que está verificando ‘cada veículo de mídia’ e ingressara com notícia-crime contra aqueles que divulgarem propaganda dos correios noruegueses que mostra o Papai Noel beijando outro homem [1]. A peça publicitária, que busca celebrar os 50 anos de descriminalização da homoafetividade no país [2], mostra a relação ao longo dos anos entre um homem e o Papai Noel e, ao final do vídeo, Noel recebe ajuda dos correios para realizar as entregas de Natal e ter tempo livre com seu companheiro [3]. Nas redes sociais, o secretário afirma que o ‘santo é parte integrante da fé cristã e […] desrespeitar a fé alheia ainda é crime’ e ressalta que a ‘mídia tem que respeitar a fé cristã’ [4]. Durante entrevista, Porciúncula diz que ‘não importa’ se o Papai Noel estava beijando um homem ou uma mulher, pois ‘seria igualmente ofensivo para a fé cristã’, ele declara que ‘em uma sociedade que prega tolerância, tolerância, tolerância, parece que o único local que não se deve tolerância e respeito são os símbolos sacros da fé cristã. E há uma repetição reiterada de escárnio e, muitas vezes, ofensiva, em cima disso. E há no nosso Código Penal um tipo específico pra isso que é o vilipêndio ao culto e ao símbolo religioso’ [5]. Em Ribeirão Preto, o vereador André Rodini, aprova proposta de moção de repúdio à propagando, mas, com a repercussão negativa nas redes sociais, decide retirar a proposta [6]. Em junho, Porciúncula falou em ‘cristofobia’ de patrocinadores no setor cultural [veja aqui] e a Funarte emitiu parecer desfavorável a festival de jazz fundamentado em argumentos religiosos [veja aqui]. Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro vetou campanha publicitária pautada por diversidade sexual [veja aqui] e, em 2020, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a exibição de programa que representava Jesus Cristo como homossexual [veja aqui] e censurou história em quadrinhos com temática LGBT [veja aqui].

Leia mais sobre o Papai Noel gay da propaganda norueguesa e leia a análise sobre o caso e sua repercussão em Ribeirão Preto.

26 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Bolsonaro determina que Polícia Rodoviária Federal aborde mulher que o xingou

Tema(s)
Posicionamento político, Segurança pública
Medidas de estoque autoritário
Legitimação da violência e do vigilantismo

Jair Bolsonaro determina a abordagem de mulher que o xingou à Polícia Rodoviária Federal (PRF) [1]. O presidente estava com sua comitiva acenando à margem de uma rodovia no Rio de Janeiro quando a passageira de um dos veículos que passavam ‘proferiu palavras de baixo calão e xingamentos’, segundo a polícia [2]. Após a ordem de Bolsonaro, a mulher é detida pela PRF e levada à delegacia, onde é autuada pelo crime de injúria contra o presidente da República [3]. Os advogados da mulher lançam nota em que dizem que o xingamento foi uma ‘expressão de indignação’ e que ‘ela está muito apreensiva e temerosa devido à repercussão do caso, sobretudo porque lhe foram atribuídas palavras que ela nunca mencionou’ [4]. Especialistas consideram anormal a detenção e que ela pode configurar abuso de autoridade, afirmando que ‘xingamento não é a forma mais civilizada de conviver, mas não leva alguém à delegacia pela prática de crime’ [5]. Esta não é a primeira detenção por críticas a Bolsonaro: em 12/2020, o advogado criminalista Marcelo Feller foi intimado pela Polícia Federal (PF) a depor em inquérito criminal instaurado a pedido do então Ministro da Justiça, André Mendonça, por críticas ao Presidente em programa de televisão [veja aqui]; Guilherme Boulos, ex-candidato a prefeitura de São Paulo também foi intimado, em 04/2021, a depor por suposta ameaça a Bolsonaro [veja aqui]; e, em 03/2021, um jovem foi preso em sua residência por policiais militares, após publicação fazendo menção à ida do presidente a cidade de Uberlândia (MG) [veja aqui]. Em todos os casos, os envolvidos foram acusados de violar a Lei de Segurança Nacional (LSN), resquício da ditadura e revogada em 09/2021 [6].

27 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Informal
Esfera
Executivo
Nível
Federal

Presidente da Fundação Palmares comemora que não recebe lideranças do movimento negro há 2 anos

Tema(s)
Cultura, Raça e etnia
Medidas de estoque autoritário
Ataque a pluralismo e minorias

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, escreve nas redes sociais que, após dois anos à frente da instituição não recebeu ‘nenhuma liderança do assim chamado movimento negro, em tom elogioso. Sou um negro livre! Não tenho que dialogar com escravos’ [1]. Após a repercussão da declaração, Camargo complementa afirmando que as lideranças de movimentos negros são ‘escravos do esquerdismo que degrada e rebaixa o negro’ e que ‘o movimento negro não representa os negros decentes do Brasil. É apenas, e tão somente uma militância rancorosa e fracassada’ [2]. No dia anterior, Camargo disse que o movimento negro é ‘inútil e ridículo’ e que ‘para a esquerda, pretos são como cães obedientes e servis, sem opinião e vontade própria’ [3]. Em outras oportunidades, o presidente da Fundação Palmares afirmou que o movimento negro é uma ‘escória maldita’ [veja aqui], que não há ‘racismo real’ no país [veja aqui], que o Dia da Consciência Negra ‘é uma data vergonhosa [veja aqui] e que pretende trocar o nome da instituição para homenagear a princesa Isabel em detrimento de Zumbi .

Leia as análises sobre o discurso negacionista promovido por Sérgio Camargo, o declínio da Fundação Palmares e como a gestão Bolsonaro promove o desmonte da instituição.

29 nov 2021
 
Tipo de Poder
Poder Formal
Esfera
Executivo
Nível
Estadual

Policial Militar algema homem negro a moto em movimento em São Paulo

Tema(s)
Raça e etnia, Segurança pública
Medidas de estoque autoritário
Restrição a direitos fundamentais
Estado
São Paulo

Policial Militar algema homem negro a moto em movimento em Sao Paulo [1]. Após ser perseguido e detido pela polícia, um motoqueiro que furou o bloqueio montado por policiais é algemado a uma moto da corporação e arrastado por ciclovia pelo agente que conduzia o veículo [2]. Motoristas que passavam pelo local do incidente, localizado na zona leste da capital paulista, filmam a ação policial que teve grande repercussão nas redes sociais [3]. A Polícia Militar de São Paulo divulga nota informando que será aberta uma investigação para apurar a conduta do policial e afirma que o militar já foi afastado das ruas [4]. As associações Educafro e Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, ajuízam uma ação civil pública contra o governo de São Paulo pedindo ‘reparação de dano moral coletivo’ contra a população negra, pelo que classificaram como caso de ‘racismo estrutural e institucional’ [5]. Especialistas em segurança pública que analisaram as imagens criticam a conduta do policial militar que, segundo eles, comete tortura, racismo e abuso de autoridade [6]. No depoimento dos policiais na delegacia, os militares omitiram que o jovem foi algemado a moto e arrastado em via pública [7].

Leia sobre o racismo estrutural e o caso onde policiais militares de São Paulo arrastam jovem negro algemado a moto da corporação.

30 nov 2021
Mês Filtros